2007 deve ser lembrado como o ano dos acontecimentos impossíveis. É que circulam notícias que me fazem pensar, até mesmo, se continuamos na Terra ou se mudamos de planeta e nem nos demos conta.
Pensem bem, neste ano Roberto Carlos não vai lançor novo CD. É, o Rei não vai mostrar novas versões de velhas músicas nem composições originais num novo disco, o que basta para nos fazer imaginar se não embarcamos sem querer num outro disco...voador. Porque Natal sem CD do Roberto é o mesmo que amigo-secreto sem presente, ceia sem peru, réveillon sem champanhe, favela sem tiro, socialite sem cocaína.
Aliás, 2007 poderá ser lembrado como o ano em que Roberto Carlos, aquela doce figura, tomou a atitude drástica de censurar e retirar do mercado mais de 10 mil exemplares da sua biografia escrita por Paulo César Araújo, o jornalista que contou sua vida ''em detalhes'' e teve que enfrentar os advogados do Rei que não engoliu o livro. Então, em 2007 temos Roberto Carlos sem CD e sem livro. Mas para o espanto não ser completo ele ainda faz, é claro, o seu Especial de Fim de Ano na televisão. Aquele mesmo que nossa avó curtia, nossa mãezinha adorava e nós assistimos com cara de ''já vi este filme''. Mas fazer o quê? Rei é rei, e se Elizabeth II distribui naftalina aos pobres, aqui também temos nossos ''guardados'' que perto do Natal ressurgem em nova embalagem, em cerimônias públicas. Porque, sinceramente, show de fim de ano do Roberto já virou questão de ''patriotismo'', como o desfile dos cavalos no 7 de Setembro.
Tem mais. Em 2007 Fidel Castro anunciou que vai abandonar a função de presidente vitalício de Cuba. Dá pra acreditar? Eu ainda estou me beliscando. Mas ele disse na semana que passou: ''É meu dever não ficar agarrado aos cargos e muito menos obstruir o caminho a pessoas jovens.''
''Qual é'', tio Fidel? Caiu e bateu a cabeça? Só falta reaparecer na semana que vem e dizer que ''tudo não passa de um engano''. Sabem como é, brincadeirinha. Ainda ontem acordei sobressaltada. Sonhei que o velho líder voltava para dizer: ''Mudei de idéia, Cuba ainda precisa de mim''. Não que eu não goste do Fidel. Pelo contrário, acho que nestas décadas de poder ele deu enorme lição de resistência ao mundo, peitou nove presidentes norte-americanos, fez das tripas do povo o coração da ''revolución''. Mas não aguento mais ver atleta desertando, artista caindo fora, cubano pulando em boca de tubarão para tentar chegar a Miami de carona. Então chega, né Fidel? Feche a conta sem pedir a saideira. É sábia sua decisão de deixar o cargo em 2007, o ano dos acontecimentos impossíveis.
Querem mais? Na Conferência do Clima, que também terminou na semana passada em Bali, os EUA finalmente concordaram em diminuir as emissões de gases que causam o efeito estufa. Está certo que a decisão não foi, digamos, de livre e espontânea vontade. Já viram americano agir de livre e espontânea vontade em benefício dos outros? Dos países pobres? Em nome da harmonia planetária? Aliás, esta expressão ''harmonia planetária'' me faz lembrar o mestre Chonga na Conga que, na década de 60, batia sininhos para despertar minha consciência. Pois é, desconfio que Chonga na Conga mudou-se para os EUA e bateu tanto, mas tanto sininho que, finalmente, convenceu os gringos a lutar pela ''harmonia planetária''. E eles assinaram um protocolo, junto com outros países, concordando em reduzir, a partir de 2013, a emissão de CO2 na atmosfera. E, para quem não sabe, os EUA é o maior emissor do veneninho que está causando o aquecimento global. A um ponto que o Apocalipse não é mais uma alegoria bíblica, mas sim uma realidade visível na seca que se abate sobre áreas da Amazônia e projeta um aquecimento na Terra de 2 a 6 graus até o fim do século. Então, vivemos ou não num inferninho comandado por bestas?
Para encerrar o ciclo dos acontecimentos impossíveis, fomos ao universo das celebridades e ficamos sabendo que a socialite Paris Hilton, herdeira da rede de hotéis Hilton, vai passar o réveillon sabem onde? (Dou um doce para quem adivinhar a próxima linha...) Pois é, Paris Hilton vai virar o ano em Florianópolis.
Para quem acha uma vantagem ter a criatura celebrando a virada em nossas praias, não custa informar que a moça, recentemente, cumpriu pena numa cadeia em Los Angeles depois de violar a condicional ao ser flagrada dirigindo bêbada. Portanto, senhores, se forem a Floripa, na praia do Jurerê, fiquem espertos. Se virem uma loira ao volante, exalando perfume e de copo na mão, fujam. Pode ser Paris Hilton lançando no Brasil um novo produto: champanhe em lata. Sim, porque a moça é garota-propaganda de uma nova marca de champanhe... em lata. Já viram isso? Eu também não. Mas fica de brinde em 2007, o ano dos acontecimentos impossíveis. Tintim!
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