Estive pensando do quanto precisamos de um SPA do Afeto, um lugar onde não vamos para perder uns quilos, mas para ganhar um espaço ilimitado de ternura. Neste local as pessoas se olham com profundidade, passeiam de mãos dadas, dormem sob o efeito de carícias fabulosas, acordam com os passarinhos e, mal abrem os olhos, têm vontade de sair cantando, sem espaço para a tristeza, a derrota, a melancolia.
No SPA do Afeto não existe idade para amar, podendo todos serem arrebatados por um encanto adolescente ou um amor maduro, desses que dobram nossos preconceitos como lenços descartáveis na curva dos 50.
No SPA do Afeto existe uma montanha de cartas apaixonadas, um caminho longo a percorrer, como aqueles com palmeiras cheias de frutos tão doces quanto o primeiro beijo ou tão suculentos quanto o último, para serem degustados com esperança ou saudade.
No SPA do Afeto existem flores para as namoradas, bombons recheados, maçãs do amor, paisagens tão ternas quanto a casa da mãe, do pai, dos filhos por nascer e dos avós que partiram.
No SPA do Afeto o tempo é sempre de chegada, de alegria repartida, de almoço de boas-vindas, cama de lençóis limpos onde a gente se deita para que o outro nos cubra, repetindo um gesto que pertenceu à infância, mas é sempre possível.
No SPA do Afeto todas as brigas são passageiras e as asperezas são da pele em arrepio. Há manhãs de sol, tardes preguiçosas, noites em desvario. Neste lugar não existe omissão, desrespeito, inverdade, mas o coração como um pássaro livre que leva a esperança. Lá todos dizem bom dia, sentem gosto de café, bolo de fubá, geléia de pitanga. À tarde os homens pescam e passeiam, as mulheres se penteiam feito Yaras à beira do rio.
No SPA do Afeto não há esperas sem volta, ninguém passa vontade e nem é esquecido. É tudo feito sob medida para que se desfrute o gozo. Tem beijos e abraços para todos os gostos, troca de olhares lânguidos, mãos que se tocam, contatos que causam faíscas, incêndios que nascem da combustão a dois.
As nossas melhores lembranças moram no SPA do Afeto, onde os amores sobrevivem à prova de balas, guerrilhas, renúncias e rompimentos. Ele fica bem ali, na Estrada da Paixão, sem número, que é pra gente se perder na fantasia. Então, siga em frente, dobre à direita, depois à esquerda, que é o lado do coração, mas vá sem medo.

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