Sim, os chatos existem, estão por aí como mosquito em dia quente ou formiga antes da chuva. Contra eles parece que nada é eficiente. Quando pegam alguém pra Cristo fico com pena da ''vítima'' obrigada a ouvir cada coisa que até Deus dúvida.
Chato é aquele que quando encontra uma solteira, pergunta sem cerimônia: ''Você ainda não casou?'' E quando encontra um casado, não pensa duas vezes para perguntar: ''Tá casado ainda?''. Chato é aquele tipo que bebe só para ficar chato e ai de quem sentar ao seu lado num bar. Pior é que muitas vezes a gente não se senta, evita. Mas ele se aproxima, puxa a cadeira, dá dois tapinhas nas suas costas na maior intimidade e começa a contar lorotas que não interessam a ninguém.
Primeiro fala das vantagens que leva nos negócios, depois começa a falar mal da ex-mulher e segue contando os planos mirabolantes de descer um rio do Mato Grosso de chalana jurando que conhece todas as paradas, porque as viu num documentário de 1988, época em que começou a elaborar ''o plano''.
Chato é aquele cara que só sabe falar te cutucando, alguns chegam ao disparate de enfiar um dedo em seu ouvido e perguntar: ''O que é esta pintinha aqui?'' Ou então puxa a alça do seu sutiã que, inadvertidamente, ficou pra fora só para esticar e soltar o elástico de modo que ele estale no seu ombro.
Chato é aquele que te encontra saindo de uma locadora com um DVD e começa a criticar o filme, ao mesmo tempo em que te conta o começo, o meio e o fim. Não contente, ele ainda explica que viu ''um coisa bárbara ontem na TV'' e desanda a imitar o Godzilla perseguindo as vítimas pelas ruas da cidade.
Chato é quem manda piadinhas pela internet, fazendo questão de te mostrar as últimas do site Humor Tadela. Não satisfeito, manda todo tipo de spam para sua caixa-postal, dando preferência àqueles que anunciam cursos para formar um ''gerente minuto'' ou te elege para continuar as correntes para ''se livrar do mal'', sem saber que a melhor coisa do mundo seria a gente conseguir se livrar DELE.
Chato é quem quer saber quanto você ganha, se conseguiu novo emprego, se faz poupança, tem carro do ano e casa própria. Quando você o encontra, ele se comporta como um atendente de loja fazendo o ''seu cadastro'' e dando-se ao luxo de, conforme as suas respostas, sair com aquele arzinho de reprovação.
Chato é quem encontra um médico numa festa e faz a consulta ali mesmo, falando da artrite, do reumatismo, de como pega resfriado fácil, fácil.
Chato é quem vai à sua casa, abre a geladeira, fala mal da sua marca de cerveja e sugere na maior cara-de-pau: ''Cadê aquele salgadinho esperto?''
É também quem não respeita o gosto de cada um no restaurante e vai logo pedindo bife à parmegiana para todos: ''Porque é o melhor prato da casa, vocês vão ver.''
Além do chato há também o filho do chato, aquele que no mesmo restaurante fica sentado numa cadeira de criança, batendo o garfo na mesa para chamar a atenção, ao mesmo tempo em que a mãe justifica: ''Este menino é tão danado!'' E tira o pestinha da cadeira para, dois minutos depois, ele começar a arrastá-la para perturbar os outros.
Quando vejo isso, percebo que chatice não é só irreversível, é genética e agora, com pesquisas tão avançadas, algum cientista sensível podia isolar o gene destes atrevidos e sumir com ele para que não haja descendência. Ou, quem sabe, fazer uma mutação que favoreça a toda a humanidade, transformando os chatos em pés de couve, baratas sem asa ou qualquer outra coisa que não perturbe o próximo. Neste domingo santo, só peço a Deus que não encontre um chato. Se Ele me atender vou sair cantando: ''Aleluia! Aleluia! Aleluia!''

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