Na minha infância, acompanhava as corridas espaciais porque meu pai, Seu Antônio, adorava tudo o que se referia à ciência e à tecnologia, era um futurista!

Avesso aos EUA, meu pai também torcia pelos russos porque havia uma competição entre os dois países. Assim, cresci entre notícias de sondas e naves espaciais até a chegada do homem à Lua, coisa que alguns tios, ao contrário do meu pai, desacreditavam muito antes dos terraplanistas.

Sempre houve quem duvidasse da ciência e da tecnologia, mas em casa, a banda que tocava era outra

Atualmente, acompanhei com algum interesse a viagem da Artemis II, mas sem muita admiração porque os EUA que chegam à Lua também promovem o inferno na Terra, sem nenhum respeito à humanidade e ao nosso fabuloso planeta que sofre com bombardeios e contaminações em países invadidos.

Diante deste quadro, a missão Artemis II serve como propaganda política para demonstrar o quanto os EUA são evoluídos, se não na Terra, pelo menos no espaço.

Enquanto durou a missão, os noticiários se encheram de glórias: "Tripulantes da Artemis II chegam ao lado oculto da Lua!" "Astronautas norte-americanos chegam ao ponto mais longínquo da Terra", incluindo uma mulher que foi para o espaço. E, pelo menos desta vez, uma mulher não foi para o espaço em sentido figurado, como se diz neste planeta sofrido.

Artemis II foi uma exibição de força dos EUA e não dá para disfarçar que a missão foi executada no tempo certo para destacar as glórias de uma nação em crise, uma nação onde milhares de pessoas saem às ruas das capitais e das cidades do interior para pedir que Trump pare suas ações belicosas, pare de fazer ameaças, para de blefar com os povos do Irã ou de Cuba. Ou caia fora!

Exibir a força não é uma ação exclusiva dos EUA em guerra. A China recentemente mostrou num desfile militar o seu potencial bélico como quem desafia: "vem que tem!".

A Coreia do Norte mostra seus mísseis com Kim Jon-um, chamado Líder Supremo, no alto dos tanques, da última vez acompanhado pela filha adolescente que, comenta-se, está sendo preparada para substituir o pai e apareceu pela primeira vez num desfile, desses que mostram com quantos mísseis é possível liquidar o planeta.

Forças que se confrontam e se provocam, enquanto nós, da geração dos anos 60/ 70, que vimos a guerra do Vietnã com corpos de jovens norte-americanos voltando para seu país naqueles sacos pretos, tememos por nossos filhos e netos, porque a guerra não é boa para ninguém, é uma bestialidade que pode bater à nossa porta, sejamos norte-americanos, palestinos, brasileiros, chineses ou cubanos.

Uma solução para que haja futuro, seria enviar Trump à Lua, bem amarradinho, e soltar por lá sem viagem de volta. Ah! E reservar também um lugar para Netanyahu, o chefão de Israel, aquele que se excita com as invasões e, como Trump, não tem limites, ética ou compaixão, este sentimento humano que não toca corações endurecidos.

Com Trump e Netanyahu num foguete sem bilhete de volta, poderíamos, enfim, comemorar a viagem à Lua. Com paz na Terra aos homens de boa vontade!

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