A cultura do cinema no centro de Londrina
Desde "O Meu Coração Canta" (1952) até "Ainda Estou Aqui" (2024), os londrinenses continuam firmes nos cinemas
PUBLICAÇÃO
sábado, 01 de fevereiro de 2025
Desde "O Meu Coração Canta" (1952) até "Ainda Estou Aqui" (2024), os londrinenses continuam firmes nos cinemas
Celia Musilli 

Quem passa pela rua Piauí à tarde ou à noite pode ver a calçada em frente ao Espaço Villa Rica cheia de pessoas que entram e saem das sessões de cinema.
A cena, guardadas as diferenças, lembra o movimento de 1968 na mesma calçada, quando o Villa Rica foi inaugurado como uma das salas mais imponentes da cidade, com suas escadarias de madeira e o tapete vermelho que indicavam a entrada para os espectadores que lotavam seus 1.100 lugares.
Depois de ser reformado em 1983, quando sua ampla sala de exibição foi dividida em duas, e encerrar suas atividades em 2001, o cinema ainda passaria por outras mudanças.
Com novas reformas, a partir de 2017, o espaço voltou a funcionar em 2019 com equipamentos modernos e a mesma sofisticação do passado.
Ainda hoje, motoristas de Uber e táxi me perguntam quando falo que vou parar na porta do cinema: "Mas o Villa Rica ainda existe?" Respondo: "Sim, está bem vivo". E logo eles passam a me contar histórias de quando iam às matinês e sessões noturnas para ver "O Cangaceiro Trapalhão" ou "Titanic".
Numa das pontas do Calçadão, onde a avenida Paraná se transforma em rua Maranhão, outro cinema histórico recebe plateias que assistem a filmes, teatro, apresentações musicais e tudo o mais que signifique cultura. O Cine Teatro Ouro Verde é hoje um espaço multiuso. Depois de passar por um incêndio e ser recuperado, sem nunca deixar de ser um templo das artes, ele continua administrado pela UEL (Universidade Estadual de Londrina).
Inaugurado em 1952, o Ouro Verde nasceu com um nome que é referência ao café, indicando que a cultura está na história de Londrina desde aqueles anos efervescentes, das décadas de 40 e 50, quando a cidade despontava como uma mulher exibida que nunca conseguiu ficar longe das telas e dos palcos.
Esses dois edifícios - o Espaço Villa Rica e o Ouro Verde - mantêm viva a cultura dos cinemas de rua no centro da cidade. E quem assistiu a filmes ou espetáculos nos últimos meses, certamente esteve numa dessas salas, assim como outras gerações estiveram nelas há décadas.
Agora, outra iniciativa vem se somar ao principal corredor cultural de Londrina: o Cine Royal Plaza, atual Cine Londrina, acaba de reabrir as portas novamente, depois de permanecer fechado desde 2021. Com projetor 4K, considerado de última geração, hoje é o único cinema do interior do Paraná que conta com essa tecnologia, além de oferecer uma Sala Kids para as crianças aproveitarem ao máximo.
O atual Cine Londrina é mais uma opção no miolo da cidade, cuja vocação cultural tem pegadas históricas desde a inauguração do Ouro Verde, passando pelo Cinema Municipal, que se transformou depois em Cine Joia, ou o Cine Augustus, no centro histórico. Além de outros cinemas que existiram em bairros representativos, como o Cine Marabá, na Vila Casoni, ou o Cine Espacial, na Vila Nova, só para ficar em alguns exemplos.
De filme em filme, de tela em tela, gerações se sucedem para assistir desde "O Meu Coração Canta" (1952), com Susan Hayward, até "Ainda Estou Aqui" (2024), com Fernanda Torres quase colocando a mão em nosso primeiro Oscar de melhor atriz.
Sempre atuais, mesmo em tempos de streaming, as salas de cinema de rua ou dos shoppings têm bom público em Londrina, reunindo quem adora ver filmes com direito a pipoca, ar-condicionado e poltronas confortáveis.
A grande magia do cinema também está na emoção de gargalhar, chorar ou levar sustos coletivamente, em vez de passar por tudo isso, sozinho, no sofá de casa.


