Há várias críticas especializadas sobre o filme "Mickey 17", mais uma produção dirigida por Bong Joon Ho que nos deu o genial "Parasita", vencedor de quatro prêmios do Oscar em 2020, incluindo o de Melhor Filme.

As críticas apontam a piada que "Mickey 17" faz com os "donos do mundo", os políticos poderosos e os bilionários, incluindo a crítica feita por Carlos Eduardo Lourenço Jorge para a FOLHA.

Hoje, as questões que cercam a geopolítica e o poder econômico parecem mesmo uma piada ou, pelo menos, deveriam ser encaradas assim se não afetassem milhares de pessoas com mandos e desmandos de políticos que revelam um grau de insanidade incomum, como cópias de modelos anacrônicos que vigoraram em outros períodos e que já considerávamos "curados", só que não.

Acompanhem as manchetes e discursos de Donald Trump:

- "Se o Canadá virar nosso 51º estado, não haverá tarifas", diz Trump (UOL)

- "Trump chama o premiê do Canadá de 'governador' e ameaça aumentar tarifas (Zero Hora)

- "Vamos tomar a Groenlândia de um jeito ou de outro", discursa Trump no Congresso americano.

E o presidente dos EUA, convertido em Napoleão de Hospício por seus delírios de poder, tem réplicas tão malucas e mal intencionadas quanto ele, como Vladimir Putin, que invadiu a Ucrânia - e aqui não cabe o raciocínio sobre "o quanto foi nobre a causa", invasão é invasão e ponto final - e seu fiel escudeiro Elon Musk, uma das figuras mais bizarras do cenário internacional no século 21.

Vejam as manchetes sobre Musk, a réplica número 2 do Napoleão de Hospício:

- "Elon Musk já tem data para colonizar Marte" (Olhar Digital)

- "Elon Musk planeja enviar mil naves para colonizar Marte" (CNN)

- "Elon Musk participa por vídeo de comício da extrema direita na Alemanha (Exame)

E, sim, apesar de alguns planos parecerem praticamente inviáveis, Musk financiou projetos futuristas interessantes como a conexão de internet via satélite para regiões remotas - apesar do lixo espacial que a Starlink gera - e planeja fazer implantes em massa em cérebros humanos, à primeira vista, com a intenção de curar problemas graves de saúde, como as lesões na medula espinhal.

No entanto, o que mais pode sair da mente de Musk? Alguém tem a resposta? Ou o comportamento megalomaníaco do bilionário também comporta riscos enormes, como a segunda explosão de um de seus megafoguetes que causou o cancelamento de voos na Flórida devido a enorme quantidade de detritos no espaço. Será que ele se importaria com a "implosão de mentes?"

Uma pergunta essencial: quais os limites éticos de alguns projetos bilionários? E quais os limites para os poderosos do mundo que agem como reis absolutistas como se ainda estivéssemos no século 17?

O espaço desta coluna não comporta todas as perguntas que precisam ser feitas para quem quer passe livre para ideias estapafúrdias.

O filme "Mickey 17" é sobre isso, é sobre nosso jocoso e tenebroso futuro. A arte sempre se ocupa de satirizar o absurdo da realidade, há exemplos incontáveis.

E antes que alguém pergunte: Napoleão de Hospício é uma referência a pessoas prepotentes, narcísicas, orgulhosas e obcecadas por desejos pessoais que conseguem arrastar uma legião de descontentes que seguem "os novos messias", sem se importar com os altos riscos. E qualquer semelhança com casos próximos não será mera coincidência.

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