"O Mistério de Varginha", série que estreou na Globo na terça-feira (6) com três episódios, terminou na quinta-feira e pode ser assistida também no Globoplay pelos assinantes.

Desde que a série foi anunciada, como uma parceria da Globo com a EPTV, de Campinas, o assunto chamou a atenção do público embora já tenham se passado 30 anos desde que as "meninas do E.T." ficaram conhecidas, depois de testemunharem a presença da estranha criatura em Varginha (MG) que, de capital do café, passou a ser conhecida como "capital do E.T."

Na FOLHA, a notícia da série ficou entre as matérias mais lidas no último fim de semana, o que dá um parâmetro de como o assunto chama a atenção do público, seja ou não uma lenda urbana.

No primeiro episódio, temos a visão do que é Varginha antes e depois da suposta aparição de um E.T. Na cidade existe até um memorial dedicado ao tema e os comerciantes lucram ainda hoje com souvenirs daquela figurinha bizarra, de grandes olhos vermelhos, que se tornou assunto mundial nos anos 1990.

Aqui não trato da existência ou não dos E.T.s, mas de como a vida daquela comunidade - e principalmente das três garotas que juram ter visto o ser de outro planeta num terreno baldio - foi afetada.

Hoje adultas, as três dão entrevistas na série. Kátia, Walkiria e Liliane brincam com o fato de não serem mais "as meninas do E.T.", mas "as velhas do E.T." Na época, elas tinham entre 14 e 22 anos.


Elas sofreram um bullying pesado na pequena cidade, onde não podiam mais estudar ou trabalhar em paz. Embora jovem, Kátia estava grávida de três meses e teve que ouvir piadas de pessoas que afirmavam que ela "estava grávida do E.T." De gente simples do interior, elas passaram a "celebridades" em programas como o Fantástico e atraíram a atenção até da mídia internacional.

O rebuliço mudou a vida da cidade e são muitas as testemunhas de fatos estranhos acontecidos entre 13 e 20 de janeiro de 1996, sendo a última data um dia fatídico no qual, depois das meninas contarem o que tinham visto, começaram a aparecer carros de bombeiros e do Exército na cidade.

O depoimento mais impressionante é de um médico que testemunhou a presença do E.T. que teria sido levado ferido ao Hospital Regional de Varginha. Ele conta que foi chamado por outro colega, já falecido, para analisar o caso e viu um "ser pequeno, de olhos lilás, que até parecia um anjo", sem que os médicos soubessem do que se tratava e o que fazer com ele.

O desfecho passa pelo suposto recolhimento dessa criatura pelo Exército para levá-la a um destino ignorado que depois passou a ser considerado um laboratório da Unicamp, em Campinas, fato desmentido pelo legista Badan Palhares, conhecido nacionalmente. Ele nega a presença do E.T. na universidade, mas diz que chegou a receber o telefonema de alguém que se identificava como sendo do Exército, dizendo que levaria a criatura para lá, o que nunca aconteceu.

A série tem muitas camadas: desde a suposta presença do E.T. em Varginha até o alvoroço causado pela mídia que não economizou sensacionalismo. Isso leva à reflexão sobre o papel do jornalismo e a força das fake news na esfera social e política, hoje vendidas na vitrine cotidiana das redes sociais. O impacto disso na sociedade é muito grande e afeta profundamente a vida das pessoas como aconteceu com "as meninas do E.T."

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