Verba para as prefeituras
Os dois primeiros meses do governo do presidente interino Michel Temer (PMDB) foram generosos com quase 2.500 municípios brasileiros que receberam R$ 2 bilhões em convênios liberados. Os dados se referem a até 2 de julho, quando a legislação eleitoral impõe restrições a esse tipo de repasses. O levantamento foi feito pelo jornal "O Estado de S.Paulo", com base em dados da Controladoria-Geral da União. A verba foi destinada a 5.213 obras. Segundo a pesquisa, o valor das liberações é equivalente a dois terços do que a presidente afastada Dilma Rousseff transferiu para administrações municipais entre janeiro e maio. O problema não está na liberação da verba para os municípios. O problema é o uso político dessas liberações em um ano de eleição municipal. Segundo a pesquisa, alguns ministros aproveitam a liberação para fazer agrados às suas bases políticas. Tanto que algumas pastas, como Transportes, Esporte, Desenvolvimento Social Agrário e Ciência e Tecnologia concentraram os repasses nos estados dos respectivos titulares. A preocupação é que o reforço no caixa não siga para as obras mais necessárias, mas para concluir projetos que podem ser vitrines para prefeitos que disputarão a reeleição ou para fazer o sucessor. O PMDB, partido do presidente interino, tem o maior número de prefeitos eleitos na eleição de 2012. São 1.024 em todo o País. A segunda legenda com mais prefeitos é o PSDB, principal aliado do governo, que administra 702 municípios. O ministro dos Transportes, Maurício Quintela Lessa (PR), por exemplo, transferiu 36,8% para Alagoas. Ele é presidente do partido no estado. Osmar Terra (Desenvolvimento Social e Agrário) liberou 16,5% para o Rio Grande do Sul, onde é primeiro-vice-presidente do diretório regional do PMDB. A crise financeira afetou duramente o caixa de grande parte das prefeituras brasileiras e o repasse de verbas federais pode ajudar a salvar serviços essenciais. Por isso, nessa época de forte contingenciamento de recursos, espera-se que a liberação de verba obedeça menos os critérios político-partidários e mais os projetos que realmente farão a diferença na vida da população.





