O nome Sépsis, da nova fase da Operação Lava Jato, é um recado bem claro da Polícia Federal (PF) sobre a corrupção na política e nos órgãos públicos brasileiros. Se recorrermos ao site de um dos médicos mais famosos do País, Drauzio Varella, encontramos a definição de sépsis como "uma doença sistêmica complexa e potencialmente grave. É desencadeada por uma resposta inflamatória sistêmica acentuada diante de uma infecção, na maior parte das vezes causada por bactérias". Em sua explicação, Varella lembra que a doença pode provocar a falência de múltiplos órgãos. É o que se está vendo com os desdobramentos da Lava Jato, que revelam a roubalheira generalizada indo além da Petrobras e atingindo outras empresas. Na operação realizada ontem, foi preso em São Paulo o doleiro Lúcio Bolonha Funaro, nome ligado ao presidente afastado da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Empresários de grandes grupos, como JBS e Gol Linhas Aéreas também foram alvo de mandados de busca e apreensão. A Sépsis é resultado das delações premiadas de Fábio Cleto, ex-vice-presidente da Caixa Econômica Federal. O objetivo é investigar um suposto esquema de pagamento de propina para liberação de recursos do Fundo de Investimentos do FGTS, administrado pelo banco. Segundo Cleto, Eduardo Cunha teria recebido propinas em 12 operações de grupos empresariais que tiveram aportes milionários do FGTS. O ex-vice da Caixa relatou que tinha reuniões semanais com o peemedebista, em Brasília, para informar detalhadamente quais grupos buscavam apoio do banco público. A partir dali, segundo o delator, os dois definiam quem seria alvo de achaque. Se a denúncia se confirmar, Cunha seria o beneficiário de 80% do total da propina operada no esquema da Caixa. Os desdobramentos da Lava Jato e revelações de esquemas grandiosos além da Petrobras nos levam a questionar: haverá um ponto final nas investigações? Como concluir uma operação que parece não ter fim? Por enquanto, a única certeza é a de que não adianta somente prender os culpados. É preciso prender e punir severamente os políticos corruptos e promover com urgência a reforma do sistema político brasileiro.

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