Quando setembro vier
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 09 de agosto de 2017
Por Carlos Eduardo Lourenço Jorge 
Quando setembro vier
Decorridos três anos daquele desconcerto de proporções bíblicas que foi "Noé" - o cinema também tem suas piadas prontas - na trajetória do diretor Darren Aronovsky, aquela obra engolida por suas proporções (e ambições) diluvianas, bizarra e sui generis combinação de cinema de autor e blockbuster, ele agora está de volta, para preencher expectativas de seus muitos admiradores conquistados especialmente por "Requiem por um Sonho" (2000) e "Cisne Negro" (2010), sem dúvida seus melhores títulos. E seu retorno acontece exatamente pela via do drama psicológico, gênero que melhor domina. Em setembro, o melodrama gótico "Mother !" fará sua première mundial no Festival de Veneza e em seguida irá a Toronto. A estreia nos EUA será em 15 de setembro - e provavelmente o lançamento brasileiro se dará na mesma data.
Este seu novo filme, repleto de ingredientes enigmáticos e arrepiantes - o trailer oficial, bem sugestivo, pode ser conferido no youtube:
Na trama, o casal protagonista, formado por Jennifer Lawrence e Javier Bardem, é secundado por dois excelentes veteranos, Ed Harris e Michelle Pfeiffer. Da história, escrita pelo próprio Aronofsky, pouco se conhece. Somente estão disponíveis os posters originais e o trailer perturbador que lança uma coleção de peças como se se tratasse de um quebra-cabeças. O casal está reformando nova residência em busca do lugar perfeito para constituir família. Bate à porta um estranho (Harris), que é convidado pelo marido para ficar. Uma segunda visita imprevista (Pfeiffer) também chega e fica nas mesmas condições. A desconfiada esposa encontra fotos do marido ocultas na bagagem dos novos e muito enigmáticos hóspedes.
O personagem de Lawrence parece imerso numa espiral de alucinações e desequilíbrio mental, de certa forma repetindo o de Natalie Portman de "Cisne Negro", com marcadas influencias daquele Roman Polanski mais paranoico de "Repulsa ao Sexo" (1965), "O Bebê de Rosemary" (68) e "O Inquilino" (76). Nas imagens disponíveis de "Mother !" o espectador reencontra as atmosferas nebulosas e o poder visual que caracterizam o melhor Aronofsky sem descuidar da direção de atores já que estamos diante de uma Jennifer Lawrence que parece buscar sua nova nominação em papel extremo, à beira da loucura, enquanto Bardem carrega nos ombros aquela ambiguidade que desperta todas as suspeitas e de quem se desconhece as intenções.
Gibson, coração valente
Na série de clássicos Cinemark, a próxima estreia (22) é o "Coração Valente" que há 22 anos deu a Mel Gibson as estatuetas de melhor filme e direção. Não é um clássico imortal, mas dá bem para o gasto, apesar de algumas incorreções históricas e da ênfase no grafismo da brutalidade. Teve boa recepção de publico, mas nem tanto de crítica, esta adaptação de poemas que contam a saga do líder e mito escocês William Wallace, mártir da revolta da Escócia contra os ingleses no século 13. Gibson dirigiria novamente com o mesmo empenho e a mesma garra (e a mesma violência) o recente "Até o Ultimo Homem" é notável sua ênfase no sacrifício de seus personagens, Jesus Cristo inclusive. "Braveheart" foi nominado a dez prêmios Oscar: ganhou cinco, o que foi até demais. O filme, que demonstra inegável sentido de espetáculo, provocou enorme controvérsia no Reino Unido compreensível no caso, já que o épico mexe com os brios do Império Britânico.


