"O Rei do Show": filme aborda parte da história real de Phineas Taylor Barnum (Hugh Jackman), homem ambicioso, de passado humilde, que em meados do século 19 decide investir no mundo do entretenimento
"O Rei do Show": filme aborda parte da história real de Phineas Taylor Barnum (Hugh Jackman), homem ambicioso, de passado humilde, que em meados do século 19 decide investir no mundo do entretenimento | Foto: Fotos: Reprodução



Presentes definidos, comprados e trocados, os shoppings da cidade devem receber neste fim de semana de mudança terminal de calendário um público entregue a mais vagabunda ociosidade. É provável que o mofo persista, já que a previsão exageradamente otimista para os próximos dias é "nublado, com chuva a qualquer hora". E neste sentido, até que a programação nas salas de cinema vai funcionar como aliada para quem não viajou.
Há para todos os gostos. Persistindo nas melhores intenções e recomendações de quem já viu ou reviu, "Extraordinário" marca presença em corações providos ou desprovidos de sensibilidade, natalina ou não. É melodrama com honestidade suficiente para colocar em roda de conversa alguns temas nada fáceis de digerir. Sem demagogia, merece a ótima acolhida que vem recebendo.

"Star Wars – Os Últimos Jedi" provoca muita saudade em quem não esquece que há 40 anos foi testemunha ocular do fenômeno galáctico de 1977, o abre-alas original criado e conduzido pelo próprio George Lucas. Eram tempos de matinês bem menos barulhentas e de ação bem mais pura (embora tosca), ainda livre da agora insistente e torturada maquiavelice que movimenta as esquinas espaciais. Em 2019 deve aparecer o nono episódio, sobre o qual se sabe pouco ou quase nada, como manda o figurino contemporâneo do pré-spoiler.
E para provar que o musical hollywoodiano – que até há pouco tempo parecia gênero próximo da extinção total – está decididamente de regresso, neste final de ano "O Rei do Show" ocupa boa porcentagem do circuito mundial, imediatamente depois do multipremiado "La La Land" ( 2016) e da versão live action de "A Bela e a Fera"(2017). "The Great Showman") aborda parte da história real de Phineas Taylor Barnum (Hugh Jackman), homem ambicioso, de passado humilde, que em meados do século 19 decide investir no mundo do entretenimento a partir da compra de um museu na Broadway. Mas logo ele cria um circo onde a principal atração serão pessoas marginalizadas pela sociedade, com frequência chamadas "freaks", ou fenômenos.
O filme é um trabalho relativamente digno que consegue superar suas limitações graças à solidez da interpretação de Jackman e à natural aptidão de Hollywood a este tipo de delírio visual e aparato técnico, capaz como sempre de atrair o público cínico que no momento frequenta as salas.
Este é um musical que corresponde à tradição clássica do gênero (as cenas cantadas fazem avançar a trama e adquirem papel preponderante no desenvolvimento dramático em geral), mesmo que a decisão do diretor debutante (!) Michael Gracey tenha sido de utilizar uma iconografia videoclipeira/publicitária – canções pop altissonantes de Justin Paul e Benj Pasek, a dupla responsável pelos temas de "La La Land", outro produto vintage com intenções de ligar passado e presente.

"Corpo e Alma": love story, tão peculiar quanto complexo, mostra o encontro de duas solidões
"Corpo e Alma": love story, tão peculiar quanto complexo, mostra o encontro de duas solidões



Da Hungria, com frieza e com afeto
Mas o melhor cinema disponível em Londrina nesses dias se hospeda timidamente numa das salas do Royal Plaza sob o título quase ascético de "Corpo e Alma". Uma love story tão peculiar quanto lírica e complexa. Uma relação minimalista, uma fábula sobre estranhos afetos entre o diretor financeiro de um matadouro e uma inspetora de qualidade da carne. Sob uma aparente frieza avança e se acentua um cálido encontro entre duas solidões. A ótica tradicional do espectador é posta à prova pela ótica alternativa da diretora Ildikó Enyedi. Urso de Ouro, melhor filme este ano em Berlim.
E a conferir, obrigatoriamente, o mais recente Woody Allen, "Roda Gigante". A refilmagem do esperto "Jumanji" carece de mais provas.

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