Dois palhaços
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 30 de agosto de 2017
Carlos Eduardo Lourenço Jorge 

Dois palhaços
De nacionalidades diferentes, dois palhaços, cada um à sua maneira, mostram porque causam medo e inquietação nas plateias especialmente nas salas escuras já no picadeiro a coisa sempre foi bem diferente. Falando português, "Bingo" continua mais uma semana na programação, e vai bater de frente com Pennywise, o palhaço criado por Stephen King em "It" (A Coisa, tradução no Brasil),um de seus incontáveis best-sellers de recorte mais sangrento.
O primeiro, "Bingo", é a cinebiografia do artista Arlindo Barreto (no filme ele é Augusto Mendes), um dos vários intérpretes (talvez o mais famoso) do palhaço Bozo, que reinou soberano nas manhãs do SBT durante a década de 1980. Famoso mas para sempre condenado ao anonimato jamais foi reconhecido pelo público que divertia por só aparecer fantasiado e atrás de pesada maquiagem , a frustração o levou às drogas pesadas utilizadas inclusive nos bastidores do programa.
O filme, que não é uma comédia (embora com momentos de comicidade), vem recebendo elogios da crítica por conta de várias virtudes e contabilizando bom público no circuito nacional. A direção é de Daniel Rezende, um dos melhores profissionais de montagem no Brasil, sendo inclusive nomeado ao Oscar da categoria pela edição de "Cidade de Deus", de Fernando Meirelles. Rezende montou também filmes recentes famosos, como "Diários de Motocicleta", "Árvore da Vida" e "Robocop" , entre outros.
No elenco, Vladimir Brichta faz o personagem atormentado pela fama que não pode usufruir , enquanto Leandra Leal é a diretora linha dura no estúdio de tevê. E Domingos Montaigner brilha em participação, ele que foi artista de circo antes das telenovelas.

O caso do Pennywise de King é "It: a Coisa", em pré-estreia na cidade na próxima quarta. A história é outra tragédia, só que bem mais soturna que a brasileira. E não tem nada de fatos reais envolvidos no argumento-roteiro. E também não é uma refilmagem do filme homônimo de 1990, transformada em minissérie de quase 4 horas e dirigida por Tommy Lee Wallace. Este Pennywise é um palhaço devorador de crianças. Na cidade de Derry, meninos e meninas locais vão desaparecendo um a um, somente deixando como pistas pedaços de corpos. Num local chamado The Barrens, um grupo de sete menores se reúne com o propósito de dar um fim à tal "coisa".
A direção é de Andy Muschietti, e um dos vários roteiristas é Cary Fukunaga (um dos diretores da excepcional serie "True Detectives" e do inquietante "Beasts of No Nation", original Netflix. O palhaço antropófago, na verdade um demônio, é vivido por Bill Skarsgard. E o elenco principal, isto é, as crianças quase adolescentes são caras novas, mas já transitando no fértil terreno das séries.
Em tempo: já fechando esta coluna, chega a notícia da melhor estreia da semana: "Como Nossos Pais", em lançamento na sala Vip 3 do Catuaí. O filme, premiado como melhor longa-metragem brasileiro no recém-encerrado Festival de Cinema de Gramado, fala sobre uma mulher que vive agora as atribulações de um trabalho que não gosta, uma família complicada e as tentativas de conciliação de tudo isso. Mas o filme é mesmo ótimo, e gera imediata empatia com a plateia.


