Cento e oitenta países compram algum tipo de alimento do Brasil e, de acordo com dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), um em cada quatro itens do agronegócio em circulação no mundo era brasileiro em 2010. Até 2030, a expectativa é alcançar o índice de um em cada três. Mas para que isso aconteça são necessárias mudanças. Afinal, o País é um dos líderes no mundo em produção e exportação de produtos agropecuários, mas enfrenta muitas barreiras tarifárias para entrar em grandes mercados mundiais, principalmente, para alimentos já processados. Reportagem da Folha Rural, hoje, traz dados do informativo especial de agosto da Confederação da Agricultura do Brasil (CNA), revelando que as taxas de importação no Japão chegam a variar de zero para insumos a 469,7% para misturas e pastas de milho para preparação de produtos de padaria, no caso mais extremo. Essa diferença dificulta a venda para o exterior de nossos produtos industrializados do agronegócio. Analistas ouvidos pela FOLHA observam que para pensar em avançar nesse quesito, o Brasil precisa resolver problemas como a menor tributação para exportação de produtos primários do que para os industrializados. Também é necessário conquistar um maior número de acordos internacionais de comércio e discutir a falta de políticas que favoreçam a abertura de mercados ou que exijam percentual mínimo de compra de itens beneficiados. A Lei 87/1996, que ficou conhecida como a Lei Kandir, também é alvo de críticas, pois desonera a exportação de produtos primários enquanto outros países, como a Argentina e a China, têm taxa de exportação mais alta para produto básico do que para industrializado. Para alcançar o objetivo de colocar mais alimentos brasileiros nas mesas estrangeiras, é preciso que o governo tenha como foco a eficiência e a redução da burocracia.

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