Da Rússia, via Hollywood
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quinta-feira, 02 de novembro de 2017
Por Carlos Eduardo Lourenço Jorge 

Países que consomem em larga escala produções estadunidenses o Brasil obviamente entre eles, e com um apetite voraz já estão acostumados a certos tipos de histórias, estilos e narrativa. Com o cinema europeu ocidental ficamos mais familiarizados nos últimos tempos. E quanto ao cinema de outras procedências, como China, Japão e Índia, continuamos mais distantes. O cinema russo também é longínquo. Mas isso não significa que esses produtos de outras regiões do globo pareçam alguma coisa diferente. Porque, se alguma coisa pretendem estas cinematografias em dimensão planetária, é exatamente parecer-se com o produto fabricado nos Estados Unidos.
No caso do horror "A Noiva", em lançamento na cidade, o resultado é uma história previsível, sem muitas surpresas e poucos sustos. Sobrevivem quem sabemos que vão sobreviver, morrem quem sabemos que vão morrer, e o confronto final se resume a um aglomerado de coincidências e detalhes em favor da heroína. "A Noiva" foi vendido como uma revolução a partir de terras russas, mas ao final de seus 95 minutos demonstra o esgotamento de ideias de um gênero com respeitável história no cinema.
O filme copia uma maneira americana de fazer, muito mais convencional, e o resultado é um caos que o espectador não tem como enfrentar, em especial quanto ao argumento.
E não há nenhum mistério na trama, desvendada logo nas primeiras cenas que eliminam toda a surpresa nos planos da família.
No início, tudo muito bem: século 19, fotógrafo acaba de enviuvar e pretende praticar um rito para trazer de volta o espírito da falecida. Mas as coisas são truncadas e... De volta para o presente. Casal recém-casado vai em lua de mel à cidade do noivo: lá começam a ocorrer os fatos estranhos, e a aparecer as pessoas bizarras. Claro que o noivo é descendente da família daquele fotógrafo. Neste ambiente, há uma lenda que diz que, tirando a foto de um cadáver recente, se captura sua alma (os russos tem apreciável histórico de fantasmagoria, com variada crônica de fatos de além-túmulo). Por isso, mais uma vez, o letreiro "baseado em fatos reais" precede as imagens.
Depois de um início até promissor na família do noivo há uma dessas fotos, e algo mais. E é o que a noiva deverá descobrir. Mas posta esta equação inicial, os caminhos se tornam conhecidos. Tudo o que ocorre é óbvio e não gera maior assombro. Sabe-se que a família busca um corpo jovem para a entidade que habita aquela foto e que tortura a todos com sua presença. Os recursos do diretor Svyatoslav Podgayevskiy são os habituais do gênero: golpes de efeito, estridência sonora, uma fotografia (ocre) que inspira (ou pelo menos deve) temor, dramaturgia exacerbada e o clássico confronto entre a jovem luminosa e o entorno escuro. Concluída a tarefa, temos uma narrativa que poderia ter entregado muito mais do que está posto.


