Benedict... o que mesmo ?
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quinta-feira, 10 de novembro de 2016
Carlos Eduardo Lourenço Jorge 

Em seu prenome já há um pequeno tropeço, mas o que dizer do sobrenome? E ao se pronunciar os dois de uma só vez a coisa complica, especialmente para quem não é íntimo da fluência anglófila com o devido perdão. Ele mesmo já disse em entrevista que às vezes custa vocalizar seu nome, "sobretudo aos domingos pela manhã". É claro que se fala aqui de Benedict Cumberbatch, o ator camaleônico egresso da classe alta londrina e que no momento experimenta as delícias da popularidade refinada por Hollywood. O exibidor londrinense, naturalmente rendido aos vetores de bilheteria, não deixa passar título no qual o ator demonstra sempre sua versatilidade. Agora mesmo ele está em mais de uma dezena de telas da cidade personificando o super-herói marveliano Doutor Estranho, alguém que promete estar de volta em breve em desdobramentos da franquia. Sobre o que virá não se arrisca prognóstico, mas o opus de abertura é outro triunfo da mirabolante fantasia do aparentemente inesgotável viés "comics", que a cada temporada entrega novidades.
Benedict leva a atuação nas veias. Seus pais, Timothy Carlton e Wanda Ventham, também são atores. Como bom intérprete britânico que se preze, o jovem (hoje está com 40) Cumberbach se iniciou no teatro shakespeariano ano passado se meteu na pele de Hamlet em atuação aclamada por plateias que esgotaram as bilheterias um ano antes da estreia. Depois de incursões televisivas discretas, deu o salto definitivo num telefilme de 2004 vivendo o cientista Stephen Hawking. E no cinema começou a ser notado pelas mãos de Spielberg em "Cavalo de Guerra", em 2011. Mas foi como um Sherlock Holmes travestido de modernidade que a porta escancarou para ele, na série de TV produzida pela BBC. Público e crítica se renderam ao carisma que injetado no personagem de Conan Doyle. Atualmente roda a quarta temporada, com estreia prevista para janeiro.
Nos últimos cinco anos foram diversos filmes: "O Quinto Poder", "Doze Anos de Escravidão"," O Jogo da Imitação", "Álbum de Família", "Além da Escuridão Star Trek". Ele está bem, sempre (ou quase sempre). Seu êxito não se deve ao modelo de galã padrão, já que é um tipo físico esquisito, longilíneo, pescoço esticado, olhos de cores diferentes (um azul, outro verde, a depender da luz). Mas a voz... Além de exímio imitador de outros atores, Benedict já dublou animais estranhos, e onde eles habitam... Como o tigre Sheere Khan na animação Mowgli ou o lobo de "Os Pinguins de Madagascar". Mas nada se iguala ao dragão Smaug na trilogia "O Hobbit". Alguém um dia definiu sua voz como "um jaguar escondido num violoncelo". Estranho, mas plausível.
Mas sua mais recente proeza é de três dias atrás. Na véspera da eleição nos Estados Unidos, ele e o apresentador britânico de tevê (e ator) James Corden protagonizaram um engenhoso sketch televisivo no qual comparavam a campanha presidencial norte-americana a um conto de terror para crianças. Na emissão de "The Late, Late Show" de na noite de segunda-feira, Cumberbatch, que interpretou o pai de Corden, leu para ele na cama sobre "a senhora que queria governar muito, muito, muito o reino, alguns diriam demasiado. Ela vestia blusa de cor bege e calças de cor bege e sapatos de cor bege", e era conhecida como Hillary Clinton.
"Era uma vez um reino chamado Estados Unidos, onde havia estados azuis no norte e vermelhos no sul...e uma bela casa branca". Assim começava a narrativa. Embora o conto não mencionasse o nome dos candidatos, além da dama de traje bege havia "um grande monstro alaranjado com uma cabeça muito grande que queria construir um muro e manter afastadas as crianças do México". Ao final do conto, a dama conseguia chegar à Casa Branca e os Estados Unidos continuam um país com igualdade entre seus habitantes. Mas não foi bem isso o que se viu na terça-feira...
Confiram o sketch: https://www.youtube.com/watch?v=WrfxnAV6Pzk



