A crise dos municípios e a folha de pagamento
Reportagem de hoje da Folha de Londrina traz um panorama do aumento de quadro de servidores da Prefeitura de Londrina desde o início da gestão do prefeito Alexandre Kireeff (PSD), no começo de 2013, até o primeiro semestre deste ano. Segundo números da Secretaria Municipal de Recursos Humanos, a administração municipal elevou seu pessoal em 27%, subindo de 7.868 para 10.004 em maio de 2016. Por outro lado, entre janeiro de 2013 e dezembro de 2015, o gasto com pessoal na ativa subiu 24,34%, de acordo com as prestações de contas quadrimestrais feitas pelo Executivo.
Em dezembro do primeiro ano da atual administração, a folha anual custava R$ 514,489 milhões e, ao final do ano passado, chegou a R$ 639,7 milhões. A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) entre 2013 e 2015 foi de 24,8%. Os gastos com recursos humanos consumiram 46,55% da Receita Corrente Líquida (RCL) da prefeitura no ano passado. Ficou bem abaixo do limite legal de 54% ou do limite prudencial (53,1%) estabelecido pela lei. Mas é preciso levar em conta que desde 2014, os gastos com inativos e pensionistas são incluídos no cálculo da folha de pagamento por entendimento do Tribunal de Contas (TC) do Paraná.
A reportagem analisou as planilhas fornecidas pela Prefeitura, que mostram o aumento do quadro de servidores principalmente nas áreas de Saúde, Educação e a Guarda Municipal. Mas também houve grande contratação para cargo descrito como de assistência à gestão, que passou de 408 servidores para 695. De 2013 ao fim do ano passado, Kireeff enviou à Câmara 25 projetos de lei, criando 2.476 cargos. Todos foram aprovados. Porém, nem todas as vagas foram preenchidas as contratações dos últimos três anos abrangem tanto os novos postos quanto a reposição de pessoal.
Grande parte dos municípios brasileiros passa por grave crise financeira, resultado da desindustrialização, da queda de receita, do desemprego, enfim, da recessão econômica que afeta o bolso das famílias e das administrações públicas. Diante disso, é preciso observar que o volume de cargos criados pela Prefeitura de Londrina contrasta bastante com os contingenciamentos de gastos promovidos pela própria administração municipal. O último dele, anunciado em maio, pretendia evitar um déficit de R$ 70 milhões.





