Assistir por inteiro a um jogo do Campeonato Paranaense é uma tarefa árdua. Aliás, se alguns padres passassem a utilizar isso como penitência para os fieis que confessam seus pecados, não seria um absurdo. “Você vai assistir a três jogos, meu filho”, para pecados de médio porte. “Ah, meu filho! Isso tudo o que está me contando é muito grave. Você terá que assistir a todos os jogos, inclusive os 'clássicos' disputados na Região Metropolitana, em estádios em que a cada chute vai subir um monte de borrachinha preta!”

O segundo turno do Campeonato Paranaense acabou e pouca coisa dá para tirar de bom. Aliás, se for botar na balança, apenas quatro times têm o que comemorar. O Londrina e o Athletico usaram seus times “B”, já que estão com a cabeça em outro lugar, e mesmo assim fizeram boa campanha. Pelo que jogaram, acho que deve ficar com um dos dois o título do Estadual. Já para o Toledo, a vaga de forma inédita na decisão do Paranaense é uma conquista e tanto, e vale muito ser comemorada. Por fim, o Cascavel CR, que teve sua presença no Estadual ameaçada até os 45 minutos do segundo tempo, disputou o torneio e passou longe do rebaixamento.

Por outro lado, Foz do Iguaçu e Maringá, representantes de duas cidades gigantes do Estado, dois times que vão disputar a Série D, passaram vergonha com campanhas ridículas. Se o Paranaense já é ruim, sem essas equipes de cidades importantes fica ainda menos atrativo.

O Operário também teve participação decepcionante. O campeão da Série C vai precisar se reforçar e muito para não passar vergonha na Série B. E Paraná e Coritiba? O jogo que fizeram domingo (31) resume bem o que foi a campanha deles, por mais que o Coxa tenha avançado em primeiro de seu grupo para a semifinal da Taça Dirceu Krüger.

Só para constar, conforme levantou o jornalista Mauro Cezar Pereira dias atrás, o Coritiba gasta este ano com o futebol R$ 1,1 milhão todo mês. É o elenco mais caro da Série B até o momento. O Paraná Clube tem uma folha salarial de R$ 590 mil. O Londrina gasta com o futebol R$ 120 mil por mês, enquanto o time do Operário custa R$ 70 mil a cada 30 dias. Dentro de campo, porém, esse abismo não existe e o futebol é de salário mínimo.

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