Anúncio na net: “Filho contra pai, cunhado contra sobrinho? Madame Natusha alivia ódio ideológico em famílias. Cura frustrações políticas profundas. Benzimento contra vinganças eleitorais. Três vezes no cartão.”

Menino sai da escola correndo para o pai, o pai abre os braços, o menino abraça e já pede o celular. Já falei, fala o pai, você vai ficar sem celular até voltar a ter notas boas. O menino fecha a cara, vai emburrado até em casa, aí sai do carro gritando:

- Quero que você morra!

O que deu nesse guri, pergunta o pai à mãe, mas ela nem ouve, está no celular, ele insiste, ela concede um rápido olhar:

- Falou comigo?

No seu quarto, o guri se contenta com o computador.

A vó fala procurando pelos óculos:

- Não sei o que faço mais com seu avô! Antes vivia fora do mundo porque não tinha celular, agora vive me infernizando porque perde o celular toda hora e fica me perguntando: viu meu celular, viu meu celular? Eu falo vi, passou aqui agorinha na sua mão, aí ele fica bravo! Diz que estou brincando com sofrimento!

E mais uma vez procura os óculos entre as almofadas do sofá.

- Sabe o que sou capaz de fazer? Levar o celular dele nalguma oficina, sei lá onde, pra botar num estojo de metal com correntinha, aí amarro a correntinha na cintura dele, vai ficar parecendo meu avô com relógio na cintura, mas ao menos não me inferniza mais!

E continua procurando os óculos.

- Cara, vou fica rico. Acabo de ter uma ideia. Vou criar um aplicativo.

- Do que, cara?

- E eu vou te falar? Segredo é a alma do negócio.

- Que isso, mano, podemos até ser sócios! Você entra com a ideia e eu com o trabalho, ou é ideia que nem vai dar trabalho?

- Você tem razão, alguém tem de meter a mão na massa.

- Então qual a ideia?

- É... Ih... Sabe que esqueci?

- Alô? É da Agrodrone? Eu quero um drone pra vigiar anta. É, vigiar anta na minha fazenda. Tem lá uma mata com muita anta, mas a fazenda vizinha também tem mata e as antas ficam indo duma mata pra outra, fizeram até uma trilha. Mas desconfio que vai mais anta daqui pra lá do que volta anta de lá pra cá, e gente de lá andou contando que fizeram churrasco de caça... Então quero dronar pra ver se não estão matando minhas antas. Não, meu filho, não é trote não, o caso é que quando abri a fazenda matei anta até com marreta mas depois, quanto menos anta tinha, mais fui pegando amor nelas e agora vejo que eu é que era uma anta e...

Eles beijam, depois se beijam de novo, em seguida se beijam longamente, depois se beijam mais uma vez e então ela pergunta se vão namorar. Ele diz que não sabe. Porque não? Ah, ele olha longe:

- Não tenho certeza se sou homem.

- Cumé quié?!

- É, não tenho certeza se sou homem.

- Não? E isso aí?

Ah, ele fala com voz longe, isso não quer dizer nada e...

- Então eu vou te dizer o seguinte! – ela fala feito macho – Você vai me namorar e, se não for homem, vai virar, entendeu?

E voltam a se beijar.

Fazendeiro comprou drone para procurar doenças e pragas nas plantações. O drone filma antas caminhando da mata da fazenda para outra mata na fazenda vizinha. O fazendeiro festeja, nem sabia que tinha antas! Não tem mais, diz alguém, foram para o vizinho.

Agora, várias vezes por dia ele manda o drone para o caminho das antas.

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