Continuo sem usar celular mas uso muito o iphone, mormente o zap, esse correio de escrita, voz e imagem para mim inacreditável, para meus netos já parte do corpo. Não careço celular porque, para um trabalho solitário e vida com quietude, melhor usar email, essa evolução do fax, que foi neto do telefone e bisneto do telégrafo.

Que tec-tempo vivemos! Nunca tantos foram tão beneficiados por tantas inovações em tão pouco tempo. O menino que só via telefone em casa de rico, hoje vê na mão de tanta gente essa fusão de telefone com relógio e cronômetro, gravador, máquina fotográfica e filmadora, correio instantâneo e gratuito, mapa-múndi desde o planeta até teu quarteirão, enciclopédia, calculadora, corretor de texto, tradutor, localizador, rastreador e guiador, monitor, convocador, tribuna e palco, galeria privada e o maior dos espaços públicos.

A caixinha mágica trouxe os bancos digitais sem taxas, com que se pode fazer uma operação em segundos, fazendo os grandes bancos parecerem apenas grandes cartórios financeiros a cultivar burocracia inútil e taxas agiotárias.

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. | Foto: iStock

Para quem aos trinta tinha dores de datilografia nas costas, é dadivoso acionar um mundo apenas com leves toques de dedo ou mesmo voz. As ferramentas antes eram extensões das mãos, o iphone refinadamente é extensão dos dedos. A cada nova utilidade, agradeço a Steve Jobbs pela simplicidade e, pela visão, a Arthur Klark, escritor autor da ideia de satélites para a comunicação global.

Com conexões, essa caixa de ferramentas que cabe na mão pode também virar cinema com filmes até do Quaquaquistão, central de aulas, conferências e performances, como tanto estamos vendo na pandemia, aplicativos mil confirmando que a Humanidade é fruto de comunicação com cooperação.

Todo poder se baseia em comunicação – como no Egito Antigo, onde os escravos trabalhavam com empenho na construção das pirâmides porque convencidos de que, quando a alma do faraó dali partisse para a eternidade, eles iriam junto. A ilusão das massas validou sistemas políticos durante milênios. Agora, porém, basta ter um clic para saber que o Palácio do Planalto, por exemplo, tem 3.500 funcionários, a maioria trabalhando no próprio palácio, como aquele aparentemente pequeno Supremo Tribunal Federal emprega 1783 funcionários... A tecnologia tornou-se a grande fiscal da república. E pode-se imaginar como será ativa a cidadania dos nenês de hoje, que mal conseguem segurar celular mas já passam o dedinho para ver o que aparece na tela...

E vemos até tec-milagres! O desempregado anuncia salgados, investe seu pouco e único dinheirinho nos ingredientes mas, como é sua primeira encomenda, acaba atrasando uma hora, então o cliente recusa e destrata, mas ele conta o caso nas redes e... colhe doações de um monte de gente! Não é milagre?

Entretanto o ferro também foi uma grande invenção e virou arados mas também canhões. A mesma tecnologia fazedora de milagres é fonte da praga fake. Entre tantas transformações, como sempre porém vale o velho ditado de que tudo é questão de educação.

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