AOS DOMINGOS PELLEGRINI -

Por falar em raças


Quem grita u-u-u na arquibancada, querendo dizer que são macacos os jogadores negros no campo, decerto não sabe que todos somos descendentes de negros.

Isso a Antropologia sabe há décadas, mas ainda havia quem se insurgisse contra todas as provas científicas baseadas em fósseis, mostrando que os humanos foram se modificando ao migrar da África do Sul para os outros continentes durante centenas de milhares de anos.




Ao chegar então na hoje Europa, para que um negro precisaria de cabelos duros e enroladinhos a proteger do sol africano? Seria melhor ter cabelos lisos e longos para se proteger do frio. E assim até a cor dos olhos foi se alterando para se adaptar às novas paisagens.


Mas ora, diziam os inconformados com Adão ser negro, os negros geralmente tem crânio alongado para a frente, os asiáticos tem crânio achatado para os lados, enquanto os europeus tem crânio arredondado. Os crânios teriam mudado de formato ou seriam raças diferentes?

O desvendamento dos genomas, rastreando o DNA de gerações, dissolveu qualquer dúvida: somos todos descendentes de um Adão e uma Eva negros.


Sammy Davis Junior e May Britt
Sammy Davis Junior e May Britt | Reprodução
 


Claro que o racista poderá dizer que por isso não estamos mais no Paraíso: como negro que, quando não faz besteira na entrada, faz na saída, Adão fez a besteira de comer a maçã. E o machista se alegrará pois a mulher, conforme a Bíblia inteiramente escrita por homens, depois de nascer de uma costela de Adão, poderá ser culpada de semear tentação, sendo assim eternamente merecedora de castigos.


Mas que castigo teriam cometido os esquimós para serem gordinhos e com grossa camada de gordura abaixo da pele? Em vez de castigo, é dádiva da evolução, fornecendo proteção contra o frio e reservas de energia. Enquanto isso, os escoceses, nas suas terra frias e nevoentas, tem muitas sardas e cabelos ruivos para captar mais sol.


Foi por falta de sol na floresta que os pigmeus africanos ficaram baixinhos, por isso caçando à distância com dardos envenenados. Já os zulus, vivendo nas savanas, tornaram-se a mais alta das raças, caçando até leões com suas longas lanças. Mas todos são filhos da mesma Eva, a evolução.


E a maçã de Eva é símbolo da paixão, essa força que une homens e mulheres, apesar de todas e quaisquer diferenças, formando casais e criando a raça do futuro, os mestiços. Por isso a foto acima é do cantor afro-americano Sammy Davis Junior e da loiríssima atriz sueca May Britt, que desafiaram o racismo casando ainda em 1960, com direito a felicidade e filhos. U-u-u!


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