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. | Foto: Domingos Pellegrini/ Divulgação

É notória em São Sebastião a criatividade do povo, aqui também chamada de viração. Por exemplo essa caminhoneta: com uma placa, torna-se imobiliária ambulante ou ambulada, já que a palavra vem do Latim “ambulare”, mover-se, e, no caso, quem se move não é a minúscula imobiliária mas quem por ela passa andando. Coisa de São Sebastião.

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. | Foto: Domingos Pellegrini/ Divulgação

A placa de cardápio, na fachada do pequeno mas antigo restaurante, atesta a certeza de que o cliente vai encontrar qualidade profissional com simplicidade usual. A letra é caprichada e até caprichosa, com nenhum erro de caligrafia e apenas dois acentos agudos em vez de graves nas duas crases, só. É atestado de insistente dignidade numa cidade tão deplorada devido à criminalidade e a corrupção. Como se, diante dos tiroteios diários e das sirenes de viaturas e ambulâncias, o pequeno restaurante dissesse não, aqui tem gente que trabalha e quer viver em paz.

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. | Foto: Domingos Pellegrini/ Divulgação

São Sebastião começou numa baía e se espalhou entre morros rochosos, e seria muito mais quente sem as florestas e matas que disputam espaço com os bairros. Ou servem aos bairros, como as altas palmeiras da foto. Tão altas que, em rua estreita entre também altos prédios, parecem até surreais. São plantadas em calçadas onde as raízes afloram confinadas, mas os troncos firmes e fortes parecem desafiar a floresta de edifícios em redor.

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. | Foto: Domingos Pellegrini/ Divulgação

Os séculos ensinaram o povo de São Sebastião a conviver com as plantas, talvez porque diante da maior lição ambiental do Brasil, a Floresta da Tijuca. Quando, lá no começo do século 19, viu-se que as fonte de água da cidade começavam a secar, porque cercadas por lavouras de café e cana, Dom Pedro II mandou reflorestar uma imensa área. Cem mil mudas de árvores foram plantadas durante treze anos, formando um parque que hoje recebe dois milhões de visitantes por ano. Coisa de São Sebastião.

A rocha que forma o Morro do Corcovado tem mais de 600 milhões de anos, enquanto nossa terra-vermelha vem de derrames de lava de apenas pouco mais de cem milhões de anos. Mas, se não temos altos morros rochosos para atrair turismo, temos muita terra fértil. No mais, é sempre um renovado prazer visitar São Sebastião do Rio de Janeiro, encontrando imagens e assuntos para duas crônicas apenas numa caminhada em redor do hotel. Ou, como disse sorrindo um taxista: - O Rio sofre sorrindo!

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