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. | Foto: Fotos: Domingos Pellegrini/ Divulgação

De São Sebastião trago algumas imagens e comparações com nossa terra-vermelha. Começa que não temos mar, nem também temos ruínas, o que pode ser uma lástima, como a da foto começando a se arruinar com pouca esperança de restauração, pois o governo quebrado não consegue nem terminar obras novas. Se fomos Capital do Café, é tempo que passou, enquanto São Sebastião, se há mais de meio século já não é mais capital, continua entretanto com encantos mil, embora também com seus tormentos. Fiquemos com os encantos, que podem ser preciosamente pequenos.

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Na sapataria de dona Delmira, ela pede que a foto “não seja de perto”, não quer aparecer. Pergunto porque a Bandeira, ela responde que é patriota, ué, porque mais seria? E volta a polir na máquina umas botinas. Há muitos calçados enfileirados nas paredes, de gente que deixou para consertar e depois não voltou pegar, “por causa da crise”. Pergunto quanto tempo ela espera antes de colocar à venda, “uns anos”, diz ela. Anos?! Sim, ela reafirma, pois a crise já não dura anos? Não tem nome a sapataria de dona Delmira, mas devia ser Confiança.

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Mais feliz é o proprietário deste mercadinho de materiais para reparos de construção, elétricos e hidráulicos, incrustrado no pé de um edifício. Os sacos de cimento, areia e cal são pequenos e, se o freguês quiser, leva o tanto que quiser pesado na balança. Se quiser indicação de pedreiro, encanador ou eletricista, também tem. Como tem aquele parafusinho ou aquela arruela, ferramentas e tudo mais. Quando fecha as portas de noitinha, o mercadinho atendeu multidão, pequenininho no seu cantinho da metrópole mas “sempre de prontidão”. Os pequenos reparos são um grande negócio em São Sebastião.

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Mas o chaveiro tem de trabalhar apertado feito chave no seu estreito espaço. E como será conseguiu alvará para se instalar numa calçada? Nem pergunto, já sabendo que São Sebastião é a capital dos jeitinhos. Ele conta que já chegou a atender a mesma pessoa três vezes no mesmo dia, para fazer a mesma chave sucessivamente perdida, primeiro na areia da praia, depois no caminho de casa, depois sabe Deus onde. “Tem chave danada de sumideira”, diz o chaveiro, na sua chavearia ilhota cercada de fechaduras por todos os lados. E, à noite, passa a chave e vai embora tranquilo, pois quem iria roubar chaves sem portas? (Continua)

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