O velho e agora controverso pão de cada dia
Coma pouco de tudo, diria o doutor Bonsenso, mas a contradição também é humana
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sábado, 14 de fevereiro de 2026
Coma pouco de tudo, diria o doutor Bonsenso, mas a contradição também é humana
Domingos Pellegrini 

Realmente espanta comparar fotos de agora com fotos da metade do século passado. Eram então raros os obesos, que agora quase são maioria... enquanto nos EUA, o país mais rico do planeta, já é obesa mais de metade da população.
São evidências da mudança alimentar nos países ocidentais, com muitos carboidratos em forma de pães, massas, biscoitos, batatas, legumes e frutas etc, tudo que o fígado transforma em glicose.
A “comida da vó” tinha tudo isso, além de carnes e ovos, então por que não engordava tanto? Talvez pela misturança mesmo, além do desuso então de óleos vegetais, a vó cozinhava com banha.
Nos anos 60 eram pequena minoria os macrobióticos com sua crença no arroz integral miraculoso. Fui macrobiótico durante década, com muita saúde que, hoje vejo, decerto se devia ao fato de então ser moço...
Depois foram surgindo os vegetarianos, os veganos, dieta mediterrânea, dukan, paleo... demonstrando que a variedade é um fundamento humano.
Coma pouco de tudo, diria o doutor Bonsenso, mas a contradição também é humana e chegamos até a descalabros como comer apenas cereais, o que se pode apelidar de regime passarinho, a garantir que “você vai se sentir leve” (e talvez voar?).
Aqui em casa há um ano adotamos, embora não integralmente, a dieta cetogênica, comendo mais que tudo carne e ovos, com bons resultados evidentes no corpo, desde emagrecimento a fortalecimento, além de boas mudanças intestinais. Fomos convencidos pelo livro A Carne
Nossa de Cada Dia, de Diana Rodgers e Robb Wolf, que demonstram como a indústria de alimentos demonizou carnes, ovos e manteiga, inclusive com aquela famosa pirâmide alimentar que agora foi virada cabeça-pra-baixo, com mais consumo de carnes e menos de carboidratos.
Mas ainda se vê postagens já no título informando, por exemplo, que “pesquisas comprovam: consumo de carne vermelha causa câncer”... e depois vai-se ver, no último parágrafo do texto, que tais “carnes vermelhas” são linguiça, salame, mortadela e presunto, carnes processadas. É como comparar farinhas integrais com seus alimentos derivados (em que o antigo trigo e a velha aveia são ajuntados a dextrose de milho e outros conservantes e palatizantes, carrascos químicos da saúde sanguínea e hormonal, bases da saúde).
É patranha até aquela história de que o pum dos bois aquece o clima, a começar pelo fato de que as emissões pecuárias são muito mais de arrotos que de puns. Além disso, nutricionalmente não podemos dispensar as proteínas das carnes e ovos, sob risco de deficiência alimentar com várias decorrências além da obesidade.
Para os vegetarianos, certamente causará revolta trechos do livro como este: “É possível que, embora o vegetarianismo atraia pessoas com inteligência superior, tornar-se vegetariano reduza a inteligência fluida e a memória operacional. E as pessoas talvez nem mesmo notem uma redução no funcionamento cognitivo quando se tornam vegetarianas se a inteligência fluida for afetada”.
Mas e o Japão que come bem pouca carne e tem a maior longevidade do mundo? Mas comem muito peixe e algas... E, falando apenas por mim, estou me dando muito bem com só abacate no café da manhã e trocando por carne o pão de cada dia.


