As bandeiras falam, bastando ver que a grande maioria das de países europeus é de apenas linhas simples e retas, quase sempre em faixas, parecendo representar a objetividade colonialista durante séculos.

Nossa bandeira brasileira também tem um simples losango com um círculo central, assim dividida em três áreas, verde, amarela e azul, com o verde e o amarelo vindos da Bandeira do Império Português. Desta retirou-se o Brasão Imperial, dando lugar a um círculo com 27 estrelas a representar os Estados e o Distrito Federal, na posição em que estavam na cidade do Rio de Janeiro no dia da proclamação da República em 15 de novembro de 1989.

Para complicar mais, há a faixa branca com as palavras Ordem e Progresso, retiradas do lema de uma filosofia em total desuso, o positivismo de Augusto Conte, que preconizava “a Ordem por base e o Progresso por fim”. Assim, é bandeira a ser desenhada corretamente apenas por desenhista profissional...

Na net vê-se que as bandeiras dos países que foram colonizados - na América, na África e na Ásia - são na maioria bandeiras também complicadas, com brasões e outros símbolos a requerer desenho profissional.

Ressalte-se que um país nunca totalmente colonizado, o Japão, tem a mais simples das bandeiras, branca com apenas um círculo central vermelho, parecendo simbolizar a objetividade e eficiência da cultura nipônica.

A bandeira do Reino Unido, com suas quatro faixas cruzando-se no centro, parece representar, a partir de Londres, a expansão do Império Britânico, o maior de quantos existiram, “onde o sol jamais se punha” e no entanto foi breve, com apenas quatro séculos em comparação com os longevos impérios chinês e romano.

A bandeira da China, surgida depois do comunismo implantado em 1949, foi escolhida por concurso entre mais de três mil propostas, e expressa bem a ordem ideológica do país, com cinco estrelas no canto superior esquerdo – com quatro estrelas simbolizando o proletariado urbano, os camponeses, os pequenos burgueses e o empresariado, diante de estrela maior que simboliza o Partido Comunista único no país, assim parecendo representar a supremacia do partido sobre a sociedade.

A bandeira dos EUA tem treze faixas que simbolizam os Estados pioneiros que, rebelando-se contra a Inglaterra, conquistaram a independência, e um retângulo contendo 50 estrelas simbolizando os atuais Estados do país. É assim uma bandeira geométrica, representando bem a também objetividade americana que levou o país a se tornar o último dos impérios, embora talvez o mais breve conforme se prenuncia.

A Bandeira de Londrina é também geométrica, com campo vermelho e quatro estrelas brancas (originalmente prateadas) em cruz, que seu criador poeta, Guilherme de Almeida, deixou para livre interpretação. Assim, sobre o vermelho cereja como dos grãos maduros de café, as estrelas podem representar o Cruzeiro do Sul, ou as quatro etnias de nossos pioneiros europeus, asiáticos e negros, além dos primevos indígenas. É a mais aberta e poética das bandeiras, com as estrelas parecendo também abrir um abraço, coerentes com nosso Hino ( “Londrina, cidade de braços abertos”), tão simplesmente bela e expressiva entre tantas bandeiras.

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