“Só a maçã do amor não mudou”, fala agro-veterano sobre a Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina, nome oficial que se tornou Expolon e Expo, já nisso evidenciando seu DNA de transformação típico da capital dos pés-vermelhos.

Vê-se transformação já na Avenida Tiradentes/BR-369 a caminho do Parque Ney Braga: quando da primeira Expo ali em 1964, via-se na vizinhança quase só a indústria Cacique de Café Solúvel, e, hoje, é um eixo urbano e empresarial pulsante e mutante como a Exposição.

No começo havia no parque um restaurante, a consagrar o churrasco-rodízio que depois se espalharia pelo país, e agora há uma grande feira gastronômica nos dias de exposição. Os primeiros pavilhões para animais se multiplicaram, conforme também a pecuária brasileira crescia e melhorava até criar o maior rebanho bovino do mundo para produção de carne (a Índia tem maior mas mais para produção de leite).

Os pavilhões têm nomes de pecuaristas ou notórios experts do Agro, e, numa turma de visitantes, alguém pergunta se eles pagaram para isso. Resposta: - Não, nós é que devemos isso a eles...

O Museu Histórico do Parque Ney Braga, ao lado do Aquário, foi triplicado desde o teto: o vigamento da nova cobertura veio do antigo armazém de café onde será o novo terminal interurbano de Londrina, numa lição de útil preservação, e não será museu às moscas, sempre visitado pelas redes escolares como é também o Museu da Viação Garcia.

Todo o Parque Ney Braga é muito visitado: acolheu mais de 60 eventos em 2025, tornando-se na prática o Centro de Eventos de Londrina.

A Via Rural, ex-Fazendinha, ideia legada pelo ex-prefeito Wilson Moreira, dissemina conhecimento e amor pelo campo, uma escola viva e também sempre muito visitada durante a Expo.

O pavilhão Smart Agro é laboratório de empresas e tecnologias inovadoras. O pavilhão Varejo tornou-se a maior feira de artesanato da cidade. E nos dez dias de Exposição a arena de shows e rodeios atrai os maiores públicos da cidade e da região, como também os auditórios reúnem muita gente em palestras, seminários e encontros de produtores e especialistas, ou, como diz o vendedor de maçãs, “é uma ferveção”.

O Parque recebeu mais de milhão de visitantes ano passado, incluindo os mais de meio milhão durante a Exposição, correspondendo ao crescimento do Agro, que produz 30% do PIB nacional, considerando a cadeia produtiva completa (agricultura, agropecuária, agro-indústria e agro-serviços).

“Assim” - fala de boca cheia o fazendeiro – “custeamos muitos serviços públicos, porque o boi não dá só carne, a vaca não dá só leite e a terra não dá só colheitas, dão também muitos impostos”.

O acesso pedestre à Exposição, para quem chega de transporte coletivo, é pela passarela elevada, desenhada com arquitetura britânica, em reconhecimento à colonizadora Companhia de Terras, como a conciliar História e futuro. E assim Londrina e a Exposição se merecem e se completam.

mockup