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| Foto: Shutterstock


Meu primeiro peixe foi uma piaba, menino ansioso por pescar ao lado do avô João, até que enjoei de ficar no barranco olhando a boia do anzol, enfiei a vara numa touceira de capim e fui brincar por ali. Aí o vô falou olha tua vara, se você não pegar ela vai pro rio.
A touceira de capim dançava chacoalhada pela vara, eu prestes a perder não só o primeiro peixe como também a primeira vara, dada pelo vô, que também tinha feito a linhada e enfiado a minhoca no anzol, para me ensinar - e então pulei!
Pulei na touceira e peguei a vara, que se curvou, a linha esticando e o vô gritando pegou, você pegou seu primeiro peixe, guri! A piaba ziguezagueou à flor da água, aí dei um puxão tão forte que ela voou por cima da cabeça e sumiu no capinzal do barranco. Vai pegar, falou ele, e fui, ganhando um dos grandes momentos da vida ao pegar nas mãos meu primeiro peixe.
Depois o tempo passou como passa o tempo, sempre procurando não se fazer notar, e o menino virou avô, em pesqueiro com neto que também esquece a vara para brincar. Mas hoje temos descansos para as varas, bem fincados na beira da lagoa onde os peixes são tilápias. E repito ao neto o que aprendi com o vô: a boia afundou ou correu, puxa que o peixe é teu!
A tilápia, esse peixe de origem africana, cujos filhotes são incubados na boca da fêmea, tornou-se sinônimo de pesca para a maioria dos que já empunharam uma vara. Proliferou tanto porque, além de ser gostosa, é o nelore das águas, resistente e produtiva.
A predominância da tilápia nos pesqueiros é uma das tantas transformações no mundo humano, onde, ao contrário do mundo natural, tudo é manejado ou alterado artificialmente. Todo pescador sessentão sabe que somos os últimos que em rios e ribeirões pescaram piabas, cascudos, campineiros, grandes bagres, além dos dourados e pintados de quando meu avô era menino e nossas cidades eram povoados.
Com desmatamento e esgoto mudamos os rios tanto como quem transforma anjos em monstros. Quase todo ribeirão por perto virou fossa fluente ou canal de agrovenenos, de modo que, mesmo se der peixe, você fica em dúvida se deve comer ou não...
Sei que ainda há dourados no Paraguai ou no Mato Grosso, mas prefiro as tilápias e pacus de pesqueiros pertinho, porque sua água vem de minas limpas, e também porque assim fico com mãos livres para escrever. Pesco pensamentos e faço anotações. E às vezes, já noitinha, ainda troco a isca só pra ver se ainda me pesco mais um pouco...


Notícias da Chácara
Beijoquice

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| Foto: Dalva Vidotte/Divulgação



Diz se não é lindo tantos beijinhos florindo nos peitoris? Essas janelas são de nossos vizinhos Flávia e Paulo, aqui na Estância Santa Paula. Todo dia passamos pela casa e sentimos admiração e inveja. Acho que agora, fotograficamente nos apossando dessa florada, ficará só a admiração.

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