Já notou que todo grande líder ostenta algum detalhe muito próprio? Máximo exemplo é o bigode de Hitler, tão próprio que ninguém mais usou. Ele adotou tal bigodote na Primeira Guerra Mundial, quando ainda era cabo, para vedar melhor a máscara contra gases, criando assim a marca pessoal mais distintiva do século 20.

Seu parceiro italiano, o também ditador Mussolini, tornou famosa sua careca e suas altas botas e cinturão apertado. Mas se vestiria de mulher para escapar do castigo popular, acabando pendurado de cabeça para baixo...

Stalin também tornou famoso seu bigodão, como que símbolo da grandeza russa, dominadora das quinze repúblicas soviéticas implantadas graças à Segunda Guerra – embora depois todas se emancipando a partir da queda do Muro de Berlim, como dominós caindo em rápida sequência, e o grande Stalin foi apagado da História como mandava apagar nas fotografias históricas as imagens dos adversários.

Churchill, no entanto, continua lembrado como o líder com charuto numa das mãos e a outra fazendo o V da vitória; num concurso de obesos mais capazes Winston seria certamente o campeão.

No Brasil, o ditador Getúlio Vargas também se popularizou com charuto na mão, a mesma com que se mataria com tiro no peito. Depois Jânio Quadros, quando presidente do Brasil, também ostentava bigode prenunciante do ditador que se pretendia – pois, enfarado de governar com oposição como é usual na democracia, renunciou esperando voltar ao poder conclamado pelo povo; mas o povo, talvez por ter de ganhar a vida, deixou Jânio seguir seu caminho, mais um bigode que não vingou.

Porém se prêmio houvesse para o mais teatral dos ditadores, decerto seria para Fidel Castro, a se vestir de ditador da cabeça aos pés, com boné e farda militares, barba e botas, assim sempre pronto a posar como personagem histórico ou fazer discursos de horas.

Pode também acontecer de pretendente a ditador se apresentar sem marcas pessoais, como Putin, eternizando-se no poder graças a reeleições propiciadas por parlamentos serviçais (conforme a receita de Chaves na Venezuela, que resultaria no bigodudo Maduro...).

Interessante porém é que Putin, no seu delírio expansionista, é ripostado por um líder sem qualquer marca pessoal, que porém se distingue por não usar gravata, o baixinho Zelenski, tão aparentemente humilde quanto realmente inquebrantável.

Zelenski até deixou a barba crescer, mas sem dar a ela qualquer formato diferencial típico das lideranças carismáticas. Parece aquela barba que vai crescendo para um dia ser cortada simplesmente, como a aguardar para comemorar o fim da guerra, revelando-se assim um símbolo vivo no tempo.

Tomara que seja prenúncio de um tempo em que líderes não mais pensem e ajam como bonecos manejados por ambições colossais, como Trump com seu cabelão e sua gravata, símbolos de seus delírios e suas bravatas. E também tomara que, nesse tempo a chegar, haja tantas quantas lideranças mulheres. E que elas fiquem famosas por, no máximo, usar roupas tão coloridas como a Rainha Elizabeth, então a simbolizar que o tempo dos ditadores terá acabado.

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