Se tudo começou com a maçã, conforme a fábula bíblica, as frutas nos acompanham desde sempre.

Meu café da manhã é só abacate com mel e café preto. Tomate é outra fruta sempre no prato também, menos nos longínquos sete anos de macrobiótica, até que um amigo reptou:

- Você, com nome e sangue italiano, não come mais tomate, essa fruta maravilhosa até na cor, porque essa macrobobótica diz que é muito yin?! E nem come mais carne porque é muito yang?! Você está intimado pelo nosso sangue a deixar de ser bobótico!

Contei a ele que a macrobiótica proibia também toda fruta ou legume vermelho como melancia, rabanete, beterraba e morango, e ele até sentou de espanto:

- Nem acredito que você está se privando dessas delícias pra ter saúde mas isso é coisa de doente da cabeça!

Voltei a comer todas as frutas e a preferida é a banana, essa dama que desvestimos com tal facilidade e se entrega tão maciamente, nada nos deixa nos dentes e, além de tão gostosa, tem aroma e cor alegre, amarelando-se toda quando pronta para você.

Tenho pena dos abacaxis, sempre tão batidos, jogados de qualquer jeito na colheita, no transporte e no comércio. Quando verdes ainda parecem bem, mas amadurecem apodrecendo onde foram batidos, por isso tristemente deixamos de comprar abacaxis.

Com as mangas palmer aprendemos a comer só na época, quando se pintam também de amarelo. Fora de época, quando estão apenas com as cores verde e vermelha, além de pequenas, sem gosto e maciez, desmerecem a preferência que as palmer conquistaram desbancando as tommy que desbancaram as haden. E, na evolução das mangas, as mangas rosa da infância parecem tão superadas que dá dó lembrar.

Não desmereço e nem por ecologice desgosto de frutas híbridas ou geneticamente modificadas, tanto que amo atemóia, que veio do Peru, mestiça da pinha com a cherimóia de lá.

Desgosto mesmo é de fruta com etiqueta, essa mania marqueto-ilógica que solapa a identidade e a beleza natural das frutas, além de criar mais lixo inútil. Frutas já vem embaladas pela própria casca, com suas cores vivas e formas sensuais, não merecem etiquetas como as coisas de plástico ou de lata.

Lamentável também é a cera que passam em muitas frutas para durabilidade e brilho. É cera natural de carnaúba e de abelha, mas também usa-se conservantes químicos, deixando pensar se a Anvisa examinou isso. Alega-se que essa cobertura maquiosa não penetra além da casca nem interfere no sabor, o que é negado por pessoas de paladar apurado – e, além disso, dá para desconfiar que, por não deixar a fruta respirar, essa cera protetora causa rápida podridão, além de encarecer as frutas. Parece burrice frutífera.

Num dia de tempestade, menininho, uma jaca madura caiu e espatifou-se diante de mim. Era de tal tamanho que, se estivesse verde e me caísse na cabeça, poderia até matar, disse alguém. Mas jaca verde não cai, disse outro, e a partir daí me senti pronto para as frutas da vida.

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