DESAFIO
PUBLICAÇÃO
sábado, 18 de novembro de 2017

Primavera travessa, com frio tardio, tempestades e tantos mosquitinhos por todo canto! Reclamei deles e um amigo desafiou se eu faria uma crônica sobre esses seres tão pequenos quanto onipresentes.
Começaria desejando não serem portadores de nova doença, digamos a chubykuenca, sucessora da chikungunya. Quem dera os mosquitinhos nos dessem doença com sintomas como fazer gentilezas no trânsito, inclusive as mulheres. Ciclistas, que tanto pedem respeito, passarem a respeitar sinaleiros e contramão. A gente ouvir o que o outro fala, em vez de já pensar no que responder...
Mas os mosquitinhos se foram, me deixando a lembrar George Craig Smith, o primeiro londrinense. Ele contava que quando a primeira caravana chegou às três minas de água onde abririam a clareira para a futura Londrina, tiveram de tomar banho em duplas: um tirava as roupas e se lavava depressinha, enquanto o outro afugentava nuvens de mosquitos agitando folha de palmeira. Depois dormiram em ranchos de palmito, jogando folhas verdes no fogo para fazer muita fumaça e afugentar a mosquitada. Só de pensar dá coceira...
Os machos de muitas aves são mais formosos que as fêmeas, exemplo famoso é o pavão. Mas, entre os mosquitos, as fêmeas são maiores que os machos e se alimentam não apenas de néctar e seiva, como eles, mas também de sangue, ou seja: dengue, zika, malária etc são coisas delas, não deles. Talvez porque elas precisem de muita energia para gerar a centena de ovos que eclodem em apenas dois dias, para delícia dos sapos.
Então por isso a onda de mosquitinhos: faltam sapos! Porque faltam brejos, aterrados para virar bairros. Os mosquitinhos vieram então nos lembrar que as grandes alterações ambientais são causadas por nós, na busca incessante por território e conforto, essência da nossa natureza. Mosquiteiro já foi coisa de casas chiques, hoje chique é ar condicionado acionado por celular. Então agradeçamos aos mosquitinhos, que nos trouxeram um pouco da natureza que eliminamos de nossa vida.
Mas meu amigo diz que não posso terminar a crônica sem revelar porque mosquitos zumbem na nossa orelha; digo que não sei, e ele:
- Ora, eles zumbem na orelha porque querem ser ouvidos!
Diante disso, só resta encerrar com a velha quadra de Montaigne:
Me contou um pernilongo
zumbindo na minha orelha
todos querem vida longa
mas ninguém quer ficar velho...

Branquinha gosta de cochilar atrás do sofá, e Pietro deitou junto, dormitou no lombo dela. A foto tem autorização da família para publicação - mas porque publicar? Primeiro, pela graça. Também pela lição de convívio e confiança, pois ele sempre dá o que ela mais quer, carinho, e então ela está sempre com ele, exemplo de dar-receber.
E não vale publicar também para não se aprisionar com tantos receios? Inocência também não pode ter não liberdade de expressão?



