Coisas que encafifam, dos fuscas ao negrume das lojas chiques
Também as farmácias nos deixam encafifados, até o final do século passado, não eram tantas nem tinham jeito de supermercado
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sábado, 15 de novembro de 2025
Também as farmácias nos deixam encafifados, até o final do século passado, não eram tantas nem tinham jeito de supermercado
Domingos Pellegrini 
Coisa que encafifa: até quando veremos fuscas? Mas basta olhar bem para ver que, como muitos se tornaram relíquias de colecionadores, ainda haverá fuscas bem cuidados quando os novos carros de agora já tiverem virado sucata...
Também as farmácias nos deixam encafifados. Até apenas o final do século passado, não eram tantas nem tinham cara de loja e jeito de supermercado. Agora, você vai por rua comercial contando nos dedos as farmácias – e, como na Avenida Higienópolis, faltarão dedos porque são uma dúzia em dois quilômetros. Na Avenida Madre Leônia há três em menos de oitenta metros, além de outra embutida em supermercado.
Mais encafifa pensar que podem ter razão os boatos de que muitas não são concorrentes mas co-irmãs de redes de propriedade dos mesmos grupos investidores. E, para encafifar mais, os postos de saúde vão lotando de gente doente como se houvesse uma multi-pandemia de doenças. Aí encafifa pensar que há tanta gente doente, e que o número de autistas vem aumentando muito, como também as perturbações mentais e os casos de câncer, tudo podendo ter como causa comum a alimentação, enquanto quase todos tratam dos sintomas esquecendo das causas, principalmente a alimentação.
Faz alguns meses eu ia passar por cirurgia nas mãos, devido a neuropatia, o doloroso formigamento que estava impedindo de dormir. Aí soube da dieta cetogênica (basicamente carnes e ovos) e experimentei, valeu que só: não precisei operar e voltei a dormir, emagreci e melhorei geral.
Ah, dirão, mas arroz-feijão é a base da alimentação brasileira! Pois é, mas nunca me senti tão bem, comendo inclusive a tão demonizada manteiga (não margarina). Aliás, encafifa também pensar que muita gente doente (ou a adoecer) continua desprezando o mais barato e eficaz dos suplementos alimentares, a vitamina D, que pode ser conseguida gratuitamente tomando sol ou pílulas baratas de calciferol, e fortalece não só contra gripes como também várias outras doenças.
Outra coisa que encafifa é ver tantas lojas pintadas de preto, como a indicar suposto refinamento. As campeãs de pretume são as academias de ginástica e as barbearias, como se obedecendo a um comando central de mesmice. Mas na natureza preto é só o carvão, como branca total é apenas a neve e algumas flores e poucas nuvens. Verdes são as plantas, azul é o céu, e tantas cores tem as frutas, as flores, as borboletas, até a joaninha pequenininha toda se enfeita de cores.
As cores simbolizam muitos sentimentos, enquanto a cor preta simboliza luto, como a cor branca se presta bem à higiene hospitalar. No entanto, vemos novas barbearias, tocadas por jovens, escuras como eram as antigas funerárias, e assim também muitas lojas a crer em paredes escuras como símbolo de riqueza chic. Mas deparo com um arco-íris, cuja beleza está em ser colorido, enquanto o negror e a brancura são negações das cores.
Talvez esteja eu me encafifando à toa, ou por ranzinzice de velho confuso, até porque a própria palavra “encafifar” é de origem incerta. Então resolvo desencafifar, mas eis que passa um fusca como um convite ao encafifamento...


