Domingos Pellegrini Atualizado em 10/02/2018, 00:01
AOS DOMINGOS PELLEGRINI
PUBLICAÇÃO
sábado, 10 de fevereiro de 2018

No Rio a bandidagem já confronta a polícia em tiroteios sistemáticos, fincando posições numa já guerra civil com mais de centena de policiais mortos num ano, enquanto contam-se em dezenas de milhares os assassinatos do tráfico de drogas pelo país. E o governo, depauperado por gastar bilhões pagando dívidas, não consegue se aparelhar para enfrentar os desafios da segurança, embora a segurança seja a ancestral e primordial razão para existir Estado.
Agora, a Câmara de Londrina começa a debater lei para restringir o consumo de bebida no entorno de bares e postos de gasolina, a pedido dos moradores da Avenida Higienópolis. O que uma coisa tem a ver com a outra? Ora, os vereadores estarão diante do dilema de fazer o Estado (a Prefeitura) cumprir sua obrigação primordial, ou estarão entregando a Higienópolis, e por extensão toda a cidade, à anarquia, que é o contrário da ordem essencial ao Estado.
Veremos se a mesma Câmara que passou a mão na cabeça dos carroceiros, e também afagou as oficinas montadoras de carros de som, pelo sempre receio eleitoral de desagradar, agora irá atender aos reclamos da associação dos bares ou da população. Os bares alegam que geram empregos, como se também não trabalhassem os vizinhos que perdem o sono e a saúde ouvindo música alta e algazarra, para de manhã encontrar na calçada fedor de urina, vômito e até fezes e camisinhas.
Veremos se a Guarda Municipal, finalmente amparada por uma lei, saberá agir ou se escusará atrás de algum novo argumento para nada fazer, como a PM abdicou de fazer algo além de desfilar viaturas pelos locais afetados pela anarquia.
Vale lembrar que os Estados surgiram depois que os povos, deixando de ser tribos nômades, há milhares de anos se fixaram em povoados e depois em cidades. Os chefes tornaram-se governantes, criando toda uma estrutura de defesa contra inimigos vizinhos ou contra invasões bárbaras. Daí surgiram também os impostos, a burocracia, os privilégios, os desmandos e a corrupção, mas ao menos as pessoas não corriam tanto o risco de ser mortas pelo machado de um viking ou pela flecha de um huno. O Estado tornou-se uma maldição necessária. E os bárbaros de hoje são os que querem obrigar todo mundo a ouvir seu tum-tum, se achando no "direito" de barbarizar nas ruas madrugada adentro, desprezando a cidadania e a civilidade como se vivessem numa selva ou num deserto sem leis nem ordem.
Com a palavra, os vereadores. Esperemos que não seja apenas para fazer discursos.

A chácara se estende pelo vale, onde caminhamos ou bicicletamos com os netos. Minha primeira bicicleta tinha rodinhas laterais para aprender o que depois nunca se esquece, e foi o avô João Nóbrega quem um dia apontou que eu já bicicletava sem precisar das rodinhas. Agora, continuo o ciclo das gerações com os netos Caetano e Lucca, apontando como podem superar tal ou qual obstáculo, vencer este ou aquele desafio.
Como atravessar atoleiro de bicicleta? Devagar em marcha pesada ou depressa em marcha leve? Melhor desmontando e passando a pé pela margem seca. Mas, vô, diz um deles, eu queria enfrentar o atoleiro! Digo que é melhor passar ao lado e continuar limpo do que enfrentar de frente e tombar embarreado, e continuamos vale afora. Diante de tanta corrupção e tantos crimes de todo tipo, bicicletando lembro que a educação familiar, concordam os educadores, é a que mais perdura e frutifica, e, concordam os criminalistas, é o que pode sustar a criminalidade na raiz, nada custando ao Estado... Mas e se o que a criança aprende na escola é o contrário do que vê em casa? Fala-se tanto em reformas, mas bibicletando penso que falta principalmente o povo se reformar.



