Domingos Pellegrini Atualizado em 14/02/2018, 19:52
AOS DOMINGOS PELLEGRINI
PUBLICAÇÃO
sábado, 13 de janeiro de 2018

Sonhei que estava num mundo onde as mulheres se matavam por diferenças feministas. Tudo começou quando as americanas vestiram preto condenando o assédio machista e foram chamadas de puritanas pelas francesas.
A polêmica cresceu tanto que até o Papa deu pitaco, e apoiar umas ou outras virou dever de vida. Todos tinham de ser contra ou a favor das que insistiam que até piscadela é assédio ou das que achavam natural o galanteio, para horror daquelas. Depois das atrizes, fizeram manifestos (contra e a favor) empresárias, lutadoras de ememeá, vereadoras do Piauí, cobradoras de ônibus e vendedoras da Avon.
Umas passeatas queimaram cuecas, outras queimaram calcinhas.
Num aeroporto, a presidente de uma ONG que cuida de focas arrancou a peruca loira de uma deputada mãe de seis filhos com três maridos.
Em sessão extraordinária, a ONU começou a debater o assunto mas a reunião foi invadida por dois grupos de mulheres, umas com golas fechadas até o queixo, outras com os seios à mostra.
Na Nova Zelândia uma mulher foi presa depois de bater com caçarola na cabeça do marido, porque "ele estava dando palpite nessa questão feminina", mas milhões de mulheres de todo o mundo protestaram nas redes sociais, dizendo que o machismo é uma questão masculina e os homens devem ser ouvidos sempre que for para concordar com elas. E os dois movimentos, o machista-não e o fêmea-sim, como ficaram conhecidos, continuaram a trocar farpas agudas:
- Quem gosta de galanteio é galinha!
- Se não querem assédio, não deviam subir a saia!
Uma lutadora de boxe italiana nocauteou um sujeito que lhe assobiou fiu-fiu no metrô.
Em protesto contra o diretor do filme que lhe deu um Oscar, uma famosa atriz jogou no Rio Hudson a estatueta, mas um ator mergulhou para recuperar a estatueta já toda coberta de mariscos, e por isso perdeu seu papel como agente 007.
Outra atriz famosa deu entrevista fumando charuto para defender o diretor, mas o charuto apagou quando alguém lhe atirou no rosto uma torta de pepino.
No Brasil, deputado gay feminista cuspiu em deputada lésbica machista que o arranhou na cara, e o presidente da Câmara quase foi impichado por se dizer "impedido de julgar brigas tão bregas".
Uma mendiga do Rio de Janeiro viralizou dizendo "antigamente muié era muié e homi era homi, e hoje tem homi e muié de todo tipo, mas eu respeito todos que me ajudam de algum jeito".
Quando a ONU estava convocando um plebiscito mundial sobre o assunto, acordei, e minha mulher me perguntou se eu tive pesadelo, falei não, estava só sonhando com cuecas e calcinhas.

Voltemeia lembro de Caminha ao ver como tudo, em se plantando, aqui na terra-vermelha dá que dá. Açafrão, por exemplo, é só enfiar na terra uma raiz e a planta logo estará enfolhando bonita e florindo linda. Anti-inflamatório e antioxidante, também é conhecido como cúrcuma e, primo do gengibre, dele também se usa a raiz, que pode ser torrada e moída no liquidificador, virando pó para chá ou tempero, pois é dele que se faz curry.
Aqui na chácara usamos picadinho no cozimento do arroz, que assim fica amarelo e mais saboroso. E a flor, depois de fotografar, picamos na salada. Ou, como diria Caminha, tudo dá e tudo se aproveita.



