Imagem ilustrativa da imagem AOS DOMINGOS PELLEGRINI
| Foto: Shutterstock



Cuecas e calcinhas


Sonhei que estava num mundo onde as mulheres se matavam por diferenças feministas. Tudo começou quando as americanas vestiram preto condenando o assédio machista e foram chamadas de puritanas pelas francesas.
A polêmica cresceu tanto que até o Papa deu pitaco, e apoiar umas ou outras virou dever de vida. Todos tinham de ser contra ou a favor das que insistiam que até piscadela é assédio ou das que achavam natural o galanteio, para horror daquelas. Depois das atrizes, fizeram manifestos (contra e a favor) empresárias, lutadoras de ememeá, vereadoras do Piauí, cobradoras de ônibus e vendedoras da Avon.
Umas passeatas queimaram cuecas, outras queimaram calcinhas.
Num aeroporto, a presidente de uma ONG que cuida de focas arrancou a peruca loira de uma deputada mãe de seis filhos com três maridos.
Em sessão extraordinária, a ONU começou a debater o assunto mas a reunião foi invadida por dois grupos de mulheres, umas com golas fechadas até o queixo, outras com os seios à mostra.
Na Nova Zelândia uma mulher foi presa depois de bater com caçarola na cabeça do marido, porque "ele estava dando palpite nessa questão feminina", mas milhões de mulheres de todo o mundo protestaram nas redes sociais, dizendo que o machismo é uma questão masculina e os homens devem ser ouvidos sempre que for para concordar com elas. E os dois movimentos, o machista-não e o fêmea-sim, como ficaram conhecidos, continuaram a trocar farpas agudas:
- Quem gosta de galanteio é galinha!
- Se não querem assédio, não deviam subir a saia!
Uma lutadora de boxe italiana nocauteou um sujeito que lhe assobiou fiu-fiu no metrô.
Em protesto contra o diretor do filme que lhe deu um Oscar, uma famosa atriz jogou no Rio Hudson a estatueta, mas um ator mergulhou para recuperar a estatueta já toda coberta de mariscos, e por isso perdeu seu papel como agente 007.
Outra atriz famosa deu entrevista fumando charuto para defender o diretor, mas o charuto apagou quando alguém lhe atirou no rosto uma torta de pepino.
No Brasil, deputado gay feminista cuspiu em deputada lésbica machista que o arranhou na cara, e o presidente da Câmara quase foi impichado por se dizer "impedido de julgar brigas tão bregas".
Uma mendiga do Rio de Janeiro viralizou dizendo "antigamente muié era muié e homi era homi, e hoje tem homi e muié de todo tipo, mas eu respeito todos que me ajudam de algum jeito".
Quando a ONU estava convocando um plebiscito mundial sobre o assunto, acordei, e minha mulher me perguntou se eu tive pesadelo, falei não, estava só sonhando com cuecas e calcinhas.

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| Foto: Dalva Vidotte/ Divulgação



Notícia da Chácara



AÇAFRÃO


Voltemeia lembro de Caminha ao ver como tudo, em se plantando, aqui na terra-vermelha dá que dá. Açafrão, por exemplo, é só enfiar na terra uma raiz e a planta logo estará enfolhando bonita e florindo linda. Anti-inflamatório e antioxidante, também é conhecido como cúrcuma e, primo do gengibre, dele também se usa a raiz, que pode ser torrada e moída no liquidificador, virando pó para chá ou tempero, pois é dele que se faz curry.
Aqui na chácara usamos picadinho no cozimento do arroz, que assim fica amarelo e mais saboroso. E a flor, depois de fotografar, picamos na salada. Ou, como diria Caminha, tudo dá e tudo se aproveita.

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