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| Foto: Reprodução



Trovões e rojões

Bravo era pastor-alemão grandalhão, mas de repente se encolhia choramingando. Então era só olhar o horizonte e lá tremeluziam coriscos: tempestade estava vindo e Bravo, muito antes de nós, já tinha ouvido os trovões distantes. Como cachorro tem muito mais audição, o barulho que nos incomoda para o cão é um tormento. Na noite de Ano Novo então, o cachorrão nos olhava sofridamente, como a perguntar porque os rojões, estremecendo a cada estrondo, a pergunta atônita nos olhos: por que, por quê?! Não sei, Bravo, eu lhe respondia acarinhando, não sei.
Agora Bravo se foi e, na noite de Ano Novo, a sempre gulosa Branquinha não quis comer devido aos rojões, e foi minha vez de perguntar: por que os que não gostam de barulho tem de sofrer barulheira? Por que a comemoração de ano novo tem de ser estrondosa? O que há de novo ou de belo em fazer barulho?
Fogos de artifício deixam instantes de beleza, a simbolizar a comemoração festiva, perpetuando-se em fotos e vídeos - mas os rojões deixam o que além de apenas barulho? O que simbolizam além de vazio interior?
Ah, dirão, numa democracia todos têm direito de se expressar. Mas a liberdade de expressão não tem seus limites? Todos podem, por exemplo, tatuar uma suástica na testa, mas não na bandeira nacional. E a democracia se baseia nos respeito às diferenças, assim quem ganha eleições pode governar mas não eliminar oposição. Entretanto o soltador de rojões sobrepõe sua vontade à de todos, a dizer com estrondos, como os terroristas, que se acha mais ou melhor que os outros, sem se importar com o que pensam ou sentem, importante é só seu barulho acima de tudo e de todos. Eliminando o direito ao sossego, é como se eliminasse todos os outros.
Mas, como cidadania se faz pela consciência e não por imposição, a esperança é que os rojões sejam silenciados pelo crescimento interior das pessoas. Talvez já seja por isso que há menos rojões no Dia de Nossa Senhora da Aparecida: afinal, por que saudar com estrondos uma santa que é símbolo de paz e serenidade e foi encontrada no fundo silencioso de um rio?
No silêncio que se segue ao estrondo, os rojões parecem dizer que é preciso ouvir mais a voz de dentro do que os barulhos de fora. Já foram sonhos o voto feminino, a igualdade democrática, a transparência oficial, que se tornaram ou vão se tornando realidade. Será sonho que rojões deixem de ser fabricados não por força de lei mas por falta de compradores? Afinal, quem comemora um novo ano deve acreditar que somos essencialmente bons, que o destino humano é melhorar, e também deve ser por isso que os cachorros gostam de nós.

Notícia da Chácara



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| Foto: Dalva Vidotte/ Divulgação



Banana-de-macaco

A banana-de-macaco é da Mata Atlântica – Paraguai e Sul-Sudeste do Brasil – onde os índios usavam para pesca, por conter o tóxico oxalato de cálcio. Esmagavam as folhas, fazendo um caldo que era jogado em lagoas ou remansos, entorpecendo os peixes que assim flutuavam para coleta. E seu raro fruto era muito apreciado pelos macacos, daí seu nome.
Resistente a secas e com suas belas folhas recortadas, hoje a banana-de-macaco é muito apreciada para paisagismo, e sua flor tem escultória beleza. Ou como diria o caboclo: - É tão bonita que até parece de cera!

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