Imagem ilustrativa da imagem AOS DOMINGOS PELLEGRINI
| Foto: Shutterstock



Princípios
Alguém diz que escrevo "muitas amenidades", e questiona se tenho princípios, então falemos deles. Liberdade, fraternidade, igualdade, pregou a Revolução Francesa, mas o tempo mostrou que liberdade só funciona com responsabilidade e a fraternidade não deve ser confundida com dependência. Quando o governo FHC criou o Bolsa Família, era previsível que, na cultura brasileira de corrupção, acabasse servindo para comprar votos e chegando a mãos indevidas.
Mas o dano maior foram as chamadas pedaladas fiscais, o governo caloteando os bancos oficiais para atender a premências eleitorais, daí gerando a crise que democraticamente castiga pobres e ricos, trabalhadores e empresários, que aliás também são trabalhadores ou não seriam empresários. Em nome da fraternidade, promoveu-se retorno à pobreza, desemprego, marginalidade, carências crescentes nos serviços públicos e enfim caos na segurança, dever essencial do Estado.

O dinheiro público vem da propriedade privada, através de impostos pagos pelas empresas e embutidos em tudo que compramos. Mas ainda vivemos numa sociedade sem noção de que todos são contribuintes, até o mendigo que, ao gastar a esmola, recolhe um terço em impostos. Se há alguma verdade na igualdade, é apenas que todos somos contribuintes do Estado, recebendo ou não benefícios, como quem paga para ter escolas e saúde públicas e paga de novo para ter escolas particulares e planos de saúde.
Quanto à igualdade, é evidente que em vez de iguais, somos diversos. Até o mais empedernido socialista concorda com diversidade quando lhe é conveniente, como as cotas raciais. Os regimes instalados em nome da igualdade faliram todos, até porque, na prática, tinham tratamento diverso o povo e a elite dominante. A igualdade foi ilusão a encobrir ditaduras e privilégios.
Somos diversos na genética, na vocação, nas escolhas de vida. A maior tragédia humana é precisar de governos, que, por serem humanos, acabam sempre imperfeitos e traidores de seus próprios princípios. Mas certamente tudo pode melhorar praticando também outros princípios em "ade": honestidade, produtividade, criatividade, claridade (ou transparência), e qualidade de produtos, de serviços e de conduta, esta também chamada de ética. O resto é só política.
Mas a política e a democracia são os meios de praticar bons princípios. Na propaganda, os partidos convidam os cidadãos para participar, embora na verdade não queiram isso, nem são mesmo partidos de verdade. Na verdade, nada se constrói bem sem o alicerce dos princípios, a partir de cada família. O grande embate do Brasil é entre esses princípios e tantos benefícios, malefícios e vícios. Moralismo meu? Graças a Deus.

Imagem ilustrativa da imagem AOS DOMINGOS PELLEGRINI
| Foto: Dalva Vidotte/ Divulgação



Notícia da Chácara

JASMIM
No bambuzal do Jardim Botânico, uma placa informa que certo tipo de bambu flore a cada 64 anos em todo o planeta, numa dessas sincronias maravilhosas deste planeta maravilhoso. Ainda bem que os jasmineiros não são assim, florem todo ano, perfumando a noitinha, quando os sabiás cantam como que.
Então lembro Gonçalves Dias, que poetou "minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá", e noutro poema teve olhar capaz de ver a beleza da flor do maracujá. Voltando da Europa, o navio naufragou na costa do seu Maranhão natal, já com a praia e suas palmeiras à vista, mas ele estava tão doente que foi esquecido ou deixado no camarote, afundou com o navio. Então colho um jasmim e coloco numa taça de cristal, em oferenda ao poeta que abriu para o menino o mundo da poesia e das flores. Olhando bem, gente flore com as flores.

mockup