Imagem ilustrativa da imagem AOS DOMINGOS PELLEGRINI
| Foto: Dalva Vidotte/ Divulgação



O Jardim
É pequeno no tamanho o jardim de minha sogra, três passos por cinco, mas com todos os centímetros vivos e floradas a cada metro.
É exemplo de diversidade e convivência: ali florem rosas, azaleias, calanchóis, manacá, camarão, margaridas – e, num velho xaxim acolhedor, explode a floração das orquídeas.
A seca longa e as chuvas boas anteciparam a primavera, os ipês deixaram isso bem claro, ou melhor, bem colorido. E o melhor pedaço dessa primavera temporã é o jardim de Dona Lúcia.
A gente vê sua cuidança em cada palmo do jardim pequeno como ela, se vista por fora. Vista por dentro da família, ela é muito grande, com a grandeza de fonte do rio familiar.
Filha da roça, veio do Patrimônio Selva para o Ouro Branco, quando o bairro bem podia ser chamado Barro Vermelho. Depois, na Vila Brasil, criou quatro filhos saudáveis e com as almas limpas. Dalva conta que só brincava descalça com os irmãos, pés-vermelhos mesmo, mas, no fim do dia, "a mãe esfregava nossos pés com bucha e sabão, dedinho por dedinho. E ai de quem mentisse ou roubasse nem que fosse uma moeda".
Dona Lúcia participou do pessoal mais produtivo da História do Brasil, as mulheres da cafeicultura, que levantavam antes dos outros para fazer o café, depois cuidavam da casa, da horta, das criações e dos filhos pequenos, inclusive amamentando durante mais de ano, e faziam o almoço, levavam a comida na roça, onde carpiam até a hora de voltar para casa e fazer a janta, indo dormir depois de lavar a louça com água tirada do poço e tomar banho no chuveiro de balde.
Ensinou os filhos a ter amor ao trabalho e respeito a todos. Ajudou no sustento da família com a máquina Singer que maneja até hoje. Domingo faz lasanha e bolo de fubá com goiabada que aguardamos a semana toda. No domingo, sua velha casa de madeira trepida com a correria dos netos, ela feliz, só não pisem no seu jardim.
Seu jardim é sua carteira de identidade real. É a cara da brasileira batalhadora, que todo dia arranca ervas daninhas quando vai ao portão dar comida ao mendigo ou prosear com alguma vizinha. Para quem chega, está sempre florindo, ou seja, sorrindo, mesmo com dores. E seu orgulho é mostrar seu jardim, os novos brotos, as flores em botão, a glória das floradas, a sua alma em flor assim. O jardim de que a gente cuida é o maior dos jardins.

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| Foto: Foto: Arquivo pessoal



Notícia da Chácara

MUNDO LIMPINHO
A foto é de uns seis anos atrás, Caetano e Pietro ainda menininhos, quando fomos catar lixo na praça do bairro.
Eles queriam brincar, mas insistimos em catar lixo primeiro, perguntaram porque. Para a praça ficar limpinha, dissemos, mas eles continuaram a catar papéis contrariados, querendo brincar. Então falamos do mosquito da dengue, que faz casinha nos lixinhos e depois passa doença pra gente, e eles logo foram procurar o mosquito nos plásticos catados, nada acharam, continuaram contrariados.
Aí Dalva falou que é preciso catar lixo para deixar o mundo limpinho, um novo mundo melhor e mais bonito! Aí, diante da grandiosa missão, viraram dois heróis a catar lixo com devoção, repetindo que iam deixar o mundo limpinho-limpinho. E festejamos, batemos foto, celebramos. Depois tentamos repetir o mesmo sucesso estimulando a manterem a casa limpinha, levando os pratos sujos para a pia, arrumando a cama ao acordar e... não é fácil. Mas, conforme os educadores, um mundo melhor depende das crianças chegarem à escola já com bons valores e costumes familiares. Então vamos tentando. Afinal, há apenas uma geração ainda se dizia: - Cala a boca, guri, aqui você é o último que fala e o primeiro que apanha...

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