Imagem ilustrativa da imagem A Cauda da Princesa
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Era uma vez numa monarquia atual, tipo menor até que a Bélgica mas funcionando tão direitinho que dela nem se ouve falar, uma princesa que sonhava casar com vestido longo desde a entrada da igreja até o altar.
Mas ela não estudava e era bem rebelde, até porque mal criada no castelo com tanta gente para cuidar dela que ninguém na verdade cuidava, além de ser desobediente que só, conforme o rei, e bem metida a besta conforme o povo.
Então, como era filha única e tinha de se preparar para ser rainha, o rei e a rainha foram convencidos pelo Conselho Real de que ela simplesmente devia ser, como cochichou o povo, mandada para longe.
Numa longínqua cidade estrangeira conhecida como a capital das almas gélidas, ela só teria uma graninha para o jantar se fizesse todas as tarefas do dia, desde estudar até lavar as calcinhas.
Conforme o Conselheiro-Mor, ou a princesa aprendia a ser gente ou o Reino poderia no futuro sofrer perda de turismo com uma rainha sem modos nem etiqueta.
Mas eis que, quando ela entra no avião, troca olhar com o belo comissário de bordo e sabe instantaneamente que está para se apaixonar pela primeira e última vez, pois rainha descasada perde a coroa.
Ele também se apaixona imediatamente como só nos contos de fadas, os dois se sentindo tão um para o outro que parecem respirar o mesmo ar.
Ela aperta o cinto pensando ah, não sei se a cauda irá até o altar, mas já sei com quem hei de me casar.
Sem hesitar ele vai lépido lidando com tudo, seu serviço aqui e ali e lá, até todo mundo dormir, aí senta a seu lado, ou melhor, ao lado dela, que conta sua história, ou seja, a história dela.
Ela conta que está sendo exilada porque disse ao conselheiro mó que quando rainha irá ou iria baixar impostos e cortar despesas do castelo e toda a estruturaleza da família real.
Conta que rainha irá ou iria enxugar bastante a guarda real, fazer o castelo sustentável em vez de sempre deficitário, acabando com tantos cargos ocupados por parentes de conselheiros – pois afinal quem precisa de assistente de assistente de jardineiro e superintendente dos armários reais todos com altos salários e mordomias demais?
E no seu casamento, a única extravagância será ou seria a longa cauda, que entretanto seria ou será vendida em leilão na net com renda para a creche do castelo.
Já de mãos entrelaçadas ele diz se você será ou seria rainha não sei, sei é que quero viver com você para sempre.
Para sempre não, corrige ela, senão a dinastia acaba em mim, mas vamos casar, sim! Quando?
Logo que eu receber minhas férias atrasadas, diz ele consultando o celular, e agora acho que posso já providenciar a sua longa cauda.
Ele some e ela dorme, sonhando como divulgar e tornar rentável o principesco casamento, até acordar com ele soprando no ouvido: quando o avião curvar para aterrissar, olhe para trás.
Quando o avião curva, ela olha e vê que ele, não ele seu príncipe e futuro rei mas o avião, ele solta uma fumaça branca formando longa cauda branca céu afora, muito mais longa que a mais comprida das igrejas.
Pena que não dá pra leiloar, pensa ela, já descendo para a pista pela mão dele, quando ele diz ih, temos de driblar os paparazzi sempre de plantão no saguão, já comecei a cuidar de você que nem o Príncipe Philipe cuida da Rainha Elisabeth.
Mas eu te chuto se andar atrás de mim, ela diz no último dos degraus, antes de olho-no-olho perguntar: você tem certeza, meu príncipe, pois afinal que é que vou fazer se me cortarem as diárias, mas ele puxa pela mão dizendo vem, meu bem, você vai cair na vida.
Então, ela suspira fundo, não vamos como Diana evitar mas procurar os paparazzi!

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