Susan: a mulher que traduz o agro para a cidade
Susan Naime e a missão de aproximar o campo da cidade através da comunicação
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 12 de maio de 2026
Susan Naime e a missão de aproximar o campo da cidade através da comunicação
Susan: a mulher que traduz o agro para a cidade
Ela não precisa falar alto para ser ouvida. Com a discrição de quem sabe que uma boa mensagem chega mais longe quando é bem construída, Susan Naime conduz a comunicação de uma das entidades mais tradicionais do agronegócio paranaense com a elegância de quem já aprendeu que liderar é, antes de tudo, escutar. “Comunicar bem não é apenas fazer uma mensagem chegar. É fazer com que ela seja compreendida, respeitada e reconhecida como verdadeira.”
SOBRE A MATURIDADE PROFISSIONAL
Susan vê este momento como uma fase de equilíbrio entre os pontos que sempre nortearam sua trajetória: gestão, comunicação e relacionamento. Foi aprendendo ao longo dos anos que comunicar não é apenas transmitir informação. É, acima de tudo, construir confiança. “Com o tempo, a gente entende que a comunicação não se sustenta só na técnica. Ela precisa de escuta, sensibilidade e coerência.” Para ela, a maturidade profissional também está em reconhecer que experiência não pode ser confundida com acomodação. O que foi construído até aqui tem valor, mas precisa continuar em movimento. “O que trouxe a gente até aqui é muito valioso, mas não necessariamente suficiente para dialogar com as novas gerações.”
SOBRE O PESO DE COMUNICAR UM LEGADO
À frente de uma comunicação carregada de história, Susan enxerga sua função como uma missão de responsabilidade. Existe um legado que precisa ser respeitado, mas também um futuro que pede adaptação. O desafio está em equilibrar tradição e inovação: manter a essência, mas atualizar a forma de comunicar. “Quando a gente comunica uma instituição com história, não está falando apenas do presente. Está cuidando de uma memória coletiva.” O setor carrega uma trajetória sólida, mas a forma de dialogar precisa acompanhar as transformações das novas gerações. Por isso, a comunicação precisa ser ponte entre o passado, o presente e o futuro. "À tradição não pode ser tratada como algo parado. Ela precisa ser compreendida, preservada e traduzida para o tempo em que a gente vive.”
SOBRE HUMANIZAR O CAMPO
O agro já é potência. A comunicação, para Susan, ajuda a mostrar que por trás dos números há pessoas, famílias, histórias e territórios em constante transformação. “Os números são importantes, mas eles não contam tudo. O agro também é feito de gente, de escolhas, de rotina e de histórias que muitas vezes ficam invisíveis.” Quando colocamos rostos, vivências e trajetórias em evidência, tudo muda. O produtor deixa de ser uma estatística e passa a ser alguém com história, desafio e propósito. É quando a comunicação aproxima realidades, cria conexão e torna o campo mais compreensível para a cidade. “Humanizar o campo é mostrar que existe vida, trabalho e responsabilidade por trás daquilo que chega à mesa das pessoas.”
SOBRE OS BASTIDORES DA EXPOLONDRINA
A comunicação da ExpoLondrina começa muito antes do evento. Está na construção da expectativa, no alinhamento com expositores, na relação com a imprensa, no cuidado com a imagem institucional e na experiência de quem passa pelo Parque Ney Braga. “Nos bastidores da Expo, a comunicação organiza as narrativas, antecipa demandas e garante que cada público viva uma experiência coerente com o que a feira representa.” Susan costuma dizer que quem trabalha com propósito entende que tudo comunica e esse é um dos pilares que norteiam sua atuação. Ver isso acontecer, na prática, é uma das partes mais gratificantes do trabalho. “A Expo é muito grande porque reúne muitos públicos ao mesmo tempo. Comunicar a feira é entender essa diversidade e fazer com que cada pessoa encontre sentido na experiência.”
SOBRE LIDERAR SENDO MULHER EM UM SETOR TRADICIONAL
Um dos principais aprendizados de Susan foi entender que liderança não está no cargo, mas na forma como se conduz pessoas e processos. “Liderar é menos sobre ocupar um lugar e mais sobre como você conduz as relações, as decisões e os desafios do dia a dia.” É um exercício natural, que tem tudo a ver com o próprio perfil dela: ouvir com calma, conduzir com critério, entregar resultados e tratar as pessoas com respeito. Ao longo da trajetória, desenvolveu muito a escuta, a mediação e a capacidade de enxergar a organização como um conjunto de partes conectadas nunca como algo isolado. “Não vejo como uma questão de gênero, mas de olhares e experiências diferentes. Quando você acredita no que faz, isso se reflete naturalmente na forma como você lidera.” Para Susan, liderar também exige consistência. Não basta estar presente nos momentos de visibilidade. É preciso sustentar o trabalho nas rotinas, nos bastidores e nas decisões que nem sempre aparecem. “A liderança se constrói muito mais no cotidiano do que nos grandes discursos.”
SOBRE O QUE AINDA PRECISA SER CONTADO DO AGRO
Ainda precisamos mostrar mais o cotidiano do agro. O agro está dentro da vida das pessoas comuns. Há muita inovação, tecnologia e sustentabilidade no setor, mas também há rotina, esforço, gestão e gente. “O agro não está distante da cidade. Ele está no alimento, na economia, nas oportunidades e em muitas relações que as pessoas nem sempre percebem.” Quando mostramos apenas os extremos, deixamos de lado o que realmente sustenta o setor no dia a dia. Contar essas histórias de forma contínua é o que aproxima o público urbano e ajuda a explicar a relação entre o campo e a cidade. "Ainda existe um espaço enorme para contar o agro de forma mais próxima, mais real e mais conectada com a vida das pessoas.”
SOBRE ALINHAR-SE SEM PERDER A CREDIBILIDADE
Susan é direta: o maior desafio da comunicação hoje é equilibrar precisão e agilidade. A velocidade não pode comprometer a consistência. “Hoje todo mundo quer comunicar rápido. Mas a rapidez só tem valor quando vem acompanhada de responsabilidade.” Ela acredita muito em planejamento bem estruturado, mas com flexibilidade para adaptar rapidamente o que for preciso. Acima de tudo, é a credibilidade que sustenta uma comunicação forte. Não adianta ser rápido se não for confiável. “Credibilidade não se improvisa. Ela é construída em cada escolha, em cada resposta e em cada informação que a gente coloca para circular.”
SEU CONSELHO PARA MULHERES QUE QUEREM LIDERAR
Buscar competência antes da visibilidade. Desenvolver repertório, assumir responsabilidades e não ter receio de se posicionar sempre com respeito e seriedade. "Antes de buscar ser vista, busque estar preparada. A visibilidade vem com mais força quando existe consistência por trás.” A liderança é construída nas escolhas do dia a dia, mais do que em uma fala pronta. E construir redes de apoio, segundo Susan, é essencial: ninguém cresce sozinho. "Assuma responsabilidades, desenvolva repertório e não tenha medo de se posicionar. Mas faça isso sempre com respeito, seriedade e verdade.”
A HISTÓRIA QUE MAIS GOSTA DE AJUDAR A CONTAR
A história da conexão. A ExpoLondrina e a Sociedade Rural representam o encontro entre o campo e a cidade, a tradição e a inovação, a produção e o conhecimento. “A história que eu mais gosto de ajudar a contar é essa: a do encontro. A Expo aproxima mundos que, na verdade, sempre estiveram ligados.” O que mais move Susan é mostrar que o agro não está distante. Ele está dentro da casa de cada pessoa, faz parte da vida de todos nós, todos os dias. Quando essa percepção muda, a relação com o setor também muda. “Quando cidade e campo passam a se compreender melhor, todos ganham porque comunicação também é uma forma de aproximar realidades.”



Ana Maziero
Colunista Social


