A tecnologia foi a grande aliada dos sojicultores brasileiros no estabelecimento e na rápida expansão da soja pelo país, que produzia irrisórias 204 mil toneladas em 1960, evoluindo para 15 milhões de toneladas (Mt) em 1979, quando já era o principal produto de exportação do Brasil. O crescimento foi espetacular tanto na área cultivada (1,3 milhões de hectares (Mha) em 1970 vs. 36 Mha em 2018), quanto na produtividade (1.089 kg/ha em 1970 vs. 3.362 kg/ha em 2018).

Foram várias as tecnologias responsáveis por tamanho sucesso e vamos analisá-las individualmente, começando pelo melhoramento genético, com destaque para o desenvolvimento da soja adaptada às baixas latitudes (soja tropical). Até 1970, o cultivo da soja no mundo se restringia a regiões próximas ou acima de 30°, razão pela qual seu cultivo no Brasil se limitava ao extremo sul do território, onde a latitude oscila no entorno dos 30°S.

Graças ao desempenho da soja tropical foi possível estender o cultivo da oleaginosa para todo o Brasil, deslocando o principal centro produtor da região Sul para a região Central do país, onde predominam latitudes entre 12° e 20°S.

Outros avanços no campo da genética foi o desenvolvimento da soja transgênica resistente ao herbicida glifosato e o desenvolvimento da soja com tipo de crescimento indeterminado, que permitiu a antecipação da época de semeadura, menores problemas com acamamento e, em alguns casos, mais eficiência na aplicação de agrotóxicos, em razão da arquitetura piramidal das plantas.

Vale um destaque para o desenvolvimento de um conjunto de tecnologias que viabilizaram o cultivo da soja na região do Cerrado, cujas terras eram desvalorizadas e despovoadas até a década de 1980, em razão da elevada acidez e baixa fertilidade do solo. A técnica da calagem, realizada com base em critérios técnicos, foi fundamental para a rápida expansão da soja na região, como, também do milho e do algodão.

Avanço não menos importante foi proporcionado pela adoção do Sistema Plantio Direto (SPD) nas lavouras do Brasil, dados os benefícios que trouxe à melhoria das propriedades químicas, físicas e biológicas do solo, além de protegê-lo contra a erosão. Mas, apesar dos benefícios evidentes do sistema, muitos agricultores estão descumprindo as regras básicas do sistema e a erosão do solo está retornando em muitas propriedades.

O SPD começou timidamente a ser utilizado no início dos anos 70, mas patinou por duas décadas, até estabelecer-se no início dos anos 90, apoiado pelo término de vigência da patente do herbicida glifosato, o que promoveu queda acentuada do seu preço, permitindo seu uso generalizado na dessecação pré-semeadura do campo. Sua adoção favoreceu a antecipação dos plantios, principalmente do milho após a colheita da soja, viabilizando o estabelecimento do milho safrinha.

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Não menos importante que os avanços tecnológicos relatados acima, foi a adoção da prática da inoculação, a qual permitiu substituir integralmente o uso de fertilizantes nitrogenados por bactérias fixadoras do nitrogênio captado diretamente do ar atmosférico, a um custo irrisório.

A integração lavoura-pecuária é prática recente no manejo do campo e está sendo ferramenta importante na recuperação de solos degradados - pastagens, principalmente. É um sistema ganha/ganha, pois o produtor de grãos é beneficiado pela rotação com as pastagens (reduz as pragas, doenças e plantas daninhas) e o pecuarista se beneficia com o estabelecimento da lavoura sobre a pastagem degradada, melhorando as condições químicas do solo e potencializando a produção de pasto em sucessão.

Vale destacar, também, os aperfeiçoamentos realizados no maquinário agrícola, assim como as melhorias incorporadas no manejo do solo e da cultura. E para finalizar, vale lembrar a agricultura de precisão, em franco processo de adoção pelos produtores mais antenados.

Amélio Dall’Agnol, pesquisador da Embrapa Soja

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