Soja, renda per capita e consumo de proteínas
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sexta-feira, 14 de setembro de 2018
Amélio Dall´Agnol 
Mesmo para os mais desligados da realidade, não há como dissociar a produção de soja com a de carnes. Afinal, não se produz soja com o objetivo de gerar óleo comestível ou biodiesel para os automóveis, mas para produzir farelo que, misturado a algum cereal (geralmente milho), produz a ração que alimenta o frango, os peixes, o porco, a vaca de leite e os bovinos de corte confinados, geradores da proteína animal da qual tanto dependemos para uma alimentação saudável.
O impulso dado à produção de soja nas últimas décadas tem tudo a ver com o aumento da demanda de carnes e outras proteínas animais, como resultado do crescimento da economia mundial que, paralelamente, promoveu o aumento da renda per capita e, como consequência, o aumento do consumo de proteína animal.
Se bem que o consumo per capita de carnes esteja estagnado em cerca de 100 kg/pessoa/ano nos 40 países mais ricos do mundo (cerca de 1 bilhão de pessoas), valor este que extrapola as necessidades alimentares básicas dessa população, por outro lado, outro bilhão de humanos sofre desnutrição porque seu consumo de carnes não alcança 10% desse montante, muito abaixo das necessidades básicas de proteína animal. Outros 5 bilhões de habitantes de países em desenvolvimento consome menos de 1/3 do consumo médio dos ricos, também insuficiente para atender as necessidades de uma dieta saudável.
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Embora a expectativa seja de que esse enorme contingente de cidadãos subalimentados aumente seu consumo de proteínas animais (carnes, ovos e produtos lácteos), dificilmente eles alcançarão o consumo médio dos ricos. Contudo, seu consumo certamente aumentará, gerando demanda adicional de milhões de toneladas de soja e sinalizando que o Brasil poderá continuar sentado em seu esplêndido berço de soja, sem temer a geração de super estoques, sem destinação.
O Brasil é um importante produtor e exportador de carnes, porque também é um importante produtor da matéria prima da qual as carnes são feitas: soja e milho, principalmente (2º e 3º produtor mundial). Em 2017, o País exportou US$ 18 bilhões em carnes, segundo produto mais valorizado na pauta das exportações do agronegócio brasileiro, depois da soja.
Apesar das críticas - via de regra gratuitas - do desempenho do agronegócio brasileiro, o Brasil continuará protegendo seus recursos naturais para que não falte comida às gerações que nos sucederem, ao mesmo tempo que continuará crescendo como produtor de alimentos.
Amélio Dall'Agnol, pesquisador da Embrapa Soja


