Insetos para alimentar humanos e animais
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sábado, 08 de dezembro de 2018
Amélio Dall'Agnol 
Dados do Banco Mundial indicam que, em pouco mais de meio século (1960 a 2018), a população humana mais do que dobrou, passando de pouco mais de três bilhões para sete e meio bilhões de pessoas. Em 2050 serão nove bilhões, despertando preocupações globais quanto à segurança alimentar e conservação dos recursos ambientais. Diante de tais perspectivas, a sugestão da FAO é que a sociedade encare os insetos como alternativa alimentar, principalmente nos países mais pobres da África e da Ásia, onde os insetos já fazem parte da dieta proteica de muitas famílias.
Segundo a ONU, 120 países, dos 192 filiados à organização consomem insetos em diferentes formas e quantidades, totalizando cerca de dois bilhões de pessoas. De cada dez animais do Planeta, oito são insetos e destes, cinco são besouros - os mais consumidos pela população humana, no estágio de larvas. Os insetos são ricos em nutrientes, principalmente proteína. Os insetos mais consumidos no mundo são besouros, lagartas de mariposas, grilos, formigas e moscas.
A maior parte dos insetos consumidos pela população humana são produzidos em ambientes controlados embora, eventualmente, também sejam consumidos os que são encontrados livres na natureza, desde que tomados certos cuidados quanto à sua qualidade e segurança.
Além dos humanos, a farinha proteica de insetos também pode alimentar animais, principalmente peixes e aves; sem pretender, no entanto, substituir integralmente as rações tradicionais consumidas por esses animais. Para não alterar o odor e o sabor da ração animal, os porcentuais de farinha de insetos integrados à ração precisam ser equilibrados, para não serem rejeitados pelos animais que os consomem.
A inserção de farinha de insetos na ração dos animais domésticos produtores de carne pode ser questionada, visto que para produzir carnes a partir da farinha de insetos, primeiro precisa-se alimentar os insetos com proteínas vegetais, como as da soja, o que poderia não fazer sentido pelo custo dessa farinha. Quando os insetos são consumidos diretamente pelos humanos, no entanto, não existe tal inconveniente, pois os insetos não são transformados em farinha proteica antes de serem consumidos pelos animais que produzirão a carne. No entanto, para viabilizar a produção de carnes a partir da farinha de insetos, poder-se-ia utilizar rejeitos industriais ou alimentares para baratear o seu custo ou, mesmo, alimentar os insetos com folhas ricas em proteínas como as da alfafa, soja ou outros vegetais proteicos.
A criação de insetos para alimentação de pássaros, gatos, cães e suínos não é novidade no Brasil, onde já existe a Associação Brasileira de Criadores de Insetos (Asbraci) integrada por mais de 350 associados e estabelecida na cidade de São Paulo.
Amélio Dall'Agnol, pesquisador da Embrapa Soja


