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Folha Rural 5m de leitura Atualizado em 03/12/2021, 15:10

Agronegócio Responsável | Irrigação no Brasil

PUBLICAÇÃO
sábado, 04 de dezembro de 2021

Amélio Dall’Agnol, pesquisador da Embrapa Soja
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Até muito recentemente, a irrigação de lavouras no Brasil não era muito expressiva, com exceção do arroz irrigado por inundação no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Em anos mais recentes, no entanto, o Brasil identificou na irrigação uma possibilidade para aumentar a produtividade e minimizar os riscos com as estiagens e, com isto, reduzir a necessidade de ampliação da área cultivada, diminuindo o desmatamento. 

Irrigação em larga escala, utilizando métodos modernos de irrigação (pivôs, gotejamento, micro aspersores) é relativamente nova no Brasil. O uso da moderna irrigação por aqui cresceu muito a partir da década de 1950, quando a área irrigada era inferior a 65 mil hectares e, segundo a Agência Nacional de Águas (ANA), atualmente supera  6 milhões de hectares (Mha), o que coloca o Brasil entre as 10 nações com maior área irrigada. 

O Brasil é um país privilegiado quanto ao volume de água doce disponível para irrigação, indústria e pecuária, entre outros usos: 12% a 14% da reserva global, segundo a FAO. Dispõe do 2º maior volume depois da Rússia, onde a maior parte da água doce está congelada nas geleiras da Sibéria e, portanto, indisponível para uso agrícola.

O principal uso da água doce no Brasil, assim como no restante do Planeta (70% do total, segundo a FAO), é para irrigar os campos de produção agrícola, com o propósito de produzir mais alimentos e fibras. Embora o Brasil seja privilegiado quanto à disponibilidade deste recurso, a água doce no mundo é um bem escasso. A maior parte dessa água encontra-se congelada nas calotas polares e nas geleiras próximas aos polos. Outra parte está no subsolo e só pode ser acessada se extraída das suas profundezas com a utilização de bombas poderosas.

É importante considerar que no Brasil o maior volume de água doce está localizado na região Norte, onde a densidade populacional é baixa e a agricultura é pouco desenvolvida. Cerca de  68% da água doce do Brasil se concentra na Região Norte, onde estão menos de 10% dos seus habitantes. 

A área irrigada no Brasil está   crescendo aceleradamente, com destaque para os pivôs centrais. Aumentou 47 vezes no período 1985 a 2018 e continua crescendo a um ritmo aproximado de 3,5% ao ano. Atualmente são irrigados cerca de 1,5 Mha com pivôs, cuja maior concentração está na região de Cerrado, com destaque para os estados de Minas Gerais, Bahia, Goiás e São Paulo, que utilizam, principalmente, as águas das bacias dos rios São Francisco e Paraná. Dentre as culturas que mais se beneficiam dessa irrigação está a soja, o milho e o feijão, além de várias olerícolas.

Embora privilegiado pela quantidade de água doce disponível, o Brasil precisa conscientizar-se de que a água é um recurso escasso no Planeta e que atenção especial precisa ser dada à utilização de sistemas de irrigação mais eficientes (gotejamento, micro aspersão, entre outros), que possibilitam irrigar a mesma área com muito menos água, tendo reflexos positivos também na energia gasta no processo.

A segurança hídrica tem correlação com a segurança alimentar. Não se produz  alimento sem  o uso da água.

Amélio Dall’Agnol, Pesquisador da Embrapa Soja

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