Um dos principais arquitetos e urbanistas brasileiros, o paulistano Ruy Ohtake, de 71 anos, ministrou uma aula especial na noite da última sexta-feira na Universidade Estadual de Londrina (UEL). A convite do Departamento de Arquitetura e Urbanismo, ele falou a alunos de pós-graduação em Projetos Arquitetônicos e de graduação em Arquitetura e Urbanismo, num lotado anfiteatro do Centro de Estudos Sociais Aplicados (Cesa).
  Considerado ‘‘um poeta da arquitetura’’, Ohtake assina dezenas de projetos no País e no mundo, entre eles o prédio da embaixada brasileira em Tóquio, museu e jardins da sede da Organização dos Estados Americanos (OEA) em Washington, além do Hotel Blue Tree, o Estádio Bezerrão e o Brasília Shopping, em Brasília; e os hotéis Unique e Renaissance e o Parque Ecológico do Tietê, em São Paulo.
  Antes da palestra na UEL Ohtake falou à Folha sobre Londrina, cidade considerada por ele uma referência de desenvolvimento urbano e qualidade de vida. Questionado sobre os problemas de habitação e transporte coletivo em uma metrópole como Londrina, ele alertou, entretanto, que o número de 500 mil habitantes é o limite para que uma cidade resolva bem os seus problemas, como transporte coletivo e moradia. Segundo ele, a administração do município deveria delimitar um anel em seus limites urbanos, se antecipar e se posicionar estrategicamente em termos de zoneamento e desenvolvimento urbano. ‘‘O ruim, e o que não pode acontecer, é o zoneamento andar nos calcanhares das construções’’, disse.
  ‘‘Eu considero que o número de 500 mil habitantes é o limite para a gente resolver de forma não radical essas questões de habitação e de transporte coletivo. Depois de um milhão de habitantes, não se cuidando desses aspectos, o custo é tão grande que não se resolve mais de forma satisfatória’’, disse Ohtake na sexta-feira à noite. Ele observou que, no caso de Londrina, é preciso dominar bem a cidade, em termos de sua geografia e outras condições para que se possa fazer, por exemplo, o anel viário mais ou menos no limite da cidade.
  ‘‘Ao fazer esse anel nos limites da cidade, é claro que essas regiões se valorizam muito e se desenvolvem. O poder público tem que passar à frente. Ao fazer o anel, ele já, estrategicamente, deve se posicionar em termos de zoneamento e desenvolvimento dessas regiões. É a forma do planejamento estar à frente das construções. Aí eu acho que vale a pena. O ruim é o zoneamento tentar consertar aquilo que já foi feito’’, disse o arquiteto.
  Para Ruy Ohtake, a oportunidade de revisão do Plano Diretor é ideal para estudar bem e executar, nesse zoneamento urbano, o balanceamento de áreas verdes, das opções viárias e da qualidade de vida dos londrinenses. ‘‘É um trabalho para enxergar hoje e na frente, nas próximas décadas’’, ressaltou.

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