Zona Sul vive endemia de hepatite A
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sábado, 06 de outubro de 2007
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Os jardins Itapoã, Franciscato, Perobal e Novo Perobal, na Zona Sul de Londrina, estão vivendo uma endemia de hepatite A. Já são 10 casos confirmados na região de junho para cá, e 19 notificados. A maior parte das vítimas é de crianças e adolescentes. Uma reunião realizada na última quinta-feira, entre representantes da Secretaria Municipal da Saúde, entidades civis, instituições de ensino, comunidade e agentes comunitários de saúde decidiu intensificar o trabalho de conscientização junto às famílias.
Uma comissão formada por lideranças locais também vai reivindicar, junto à Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld) e Sanepar, obras que resultem na melhoria da qualidade de vida da população, como instalação de rede de esgoto na ocupação conhecida como Vila Feliz, a mais atingida pela doença. Um ofício será enviado à Promotoria de Meio Ambiente pedindo providências no sentido de diminuir o nível de poluição do Córrego Cristal, considerado um foco de contaminação da região. Estudandes do curso de enfermagem do Instituto de Ensino Superior de Londrina (Inesul) também reforçarão junto às famílias dos bairros atingidos os cuidados necessários com a higiene.
Outra providência deverá ser tomada no próximo dia 15, durante reunião do Conselho Municipal de Saúde. Os participantes da reunião pretendem encaminhar ofício ao município reivindicando vacinas para a população local.
Porém, conseguir a imunização das quase 300 famílias que vivem hoje em situação de risco na região não deve ser fácil. A enfermeira Ana Elvira Barros Jóia, do setor de Epidemiologia e Informações em Saúde, da Secretaria Municipal de Saúde, antecipou, durante a reunião, que a vacina não está disponível no sistema público, e que o governo federal informou recentemente que não há condições operacionais para disponibilizá-la no momento.
Só este ano, segundo a enfermeira, já foram confirmados 143 casos de hepatite A em Londrina. Em 2006 foram registrados 256 casos. ''O aumento no número de casos vem ocorrendo de 2004 para cá.'' Para a coordenadora do Conselho de Saúde do Jardim Itapoã e membro do Conselho Municipal de Saúde, Rosalina Batista, os números são alarmantes. ''Mesmo que não considerem epidemia, acho que já se tornou um caso de saúde pública, que merece providências. Se a gente não começar a brigar e a pedir as vacinas, nunca vamos ter.''
A doença já chegou até a residências onde os moradores estão atentos para as formas de contaminação da hepatite, como a agente comunitária de saúde Marisa de Souza Silva. Há pouco mais de um mês sua filha, de 12 anos, foi contaminada. ''Ela começou com febre, vômito e dores abdominais. Depois de três dias percebi que podia ser hepatite e corri ao hospital para fazer os exames. Ela teve de fazer repouso e dieta durante um mês. Agora, ela já voltou para a escola, mas ainda não está podendo fazer muito esforço físico.'' Marisa afirma que intensificou os cuidados em casa, depois que a filha ficou doente. ''Não sei como ela pode ter se contaminado.''
Um dos piores casos da região foi o da dona de casa Josiane Lourenço Alcântara, de 23 anos. Ela mora na Vila Feliz e chegou a ser internada duas vezes. ''Fiquei de cama dois meses, com muita fraqueza e sem ânimo para nada. Emagreci oito quilos, foi a pior doença que já tive até hoje.'' Josiane não conhecia a hepatite A e garante que intensificou os cuidados com a higiene, como lavar melhor os alimentos e as mãos.


