Zona Oeste ganha escola profissionalizante
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quarta-feira, 17 de março de 2004
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Um projeto da iniciativa privada vai oferecer uma nova oportunidade para jovens do Jardim Leste-Oeste (Zona Oeste de Londrina), bairro marcado recentemente por um histórico de violência. É de lá que sairão os primeiros alunos da ''Escola Profissionalizante Antonio Bordignon'', que vai oferecer qualificação para jovens e aposentados de baixa renda.
O projeto, apresentado ontem no Sindicato da Indústria da Construção Civil do Norte do Paraná (Sinduscon), foi criado pela empresa Bordignon Shopping da Construção, como parte de um programa de responsabilidade social. A escola vai utilizar a estrutura da própria empresa, na Avenida Tiradentes (Zona Oeste). Serão oferecidos sete cursos gratuitos, com oferta de 15 vagas cada um: encanador, azulejista, eletricista instalador predial, assentador de porcelanato, assentador e rebocador, pintura decorativa e pintor de obras. Os módulos foram definidos com base em pesquisas, realizadas pelo Sinduscon, sobre as necessidades do mercado.
As aulas começam em abril e a expectativa é grande entre os aspirantes a uma vaga na escola. A presidente da Associação de Moradores do Leste-Oeste, Maria José D'Ávila, já contabilizou pelo menos 100 interessados. ''Entre as 260 famílias do bairro, deve haver uns 150 desempregados. Tem muitos jovens que nunca tiveram registro em carteira, e aposentados que têm de sustentar a família inteira'', ressalta.
A dona-de-casa Matilde Isabel de Barros, 43 anos, conhece bem o drama do desemprego. Viu o marido partir para São Paulo em busca do trabalho que não conseguiu em Londrina, e não quer o mesmo destino para os dois filhos. Um deles é Walter, 18 anos, que cursa o Ensino Médio e sonha ser analista de sistemas. Até lá, diz, não pode abrir mão de um trabalho. ''Depois que meu pai foi embora, eu me tornei o homem da casa, tenho responsabilidades. Nunca tive emprego fixo, mas já fiz muito bico''.
Outro que vive de bicos e vê na escola a chance de ingressar em uma carreira é Rivaldo Ribeiro Matias, 34 anos. Ele teve seu último emprego fixo há um ano e meio e, desde então, conta com trabalhos esporádicos para sustentar a mulher e cinco filhos. ''Preciso aprender mais. Procuro emprego e sempre ouço aquele 'não' ''.


