Pintou oportunidade, e três das quatro filhas da pensionista Imaculada de Oliveira Melo, 58 anos, foram para Portugal. Essa é uma história como tantas outras que ocorrem no Conjunto Semiramis, e em outros conjuntos da zona norte de Londrina. A falta de emprego está transformando a região em provedora de mão-de-obra para os portugueses, da mesma forma que Governador Valadares (MG) manda seus filhos para os Estados Unidos, e os dekasseguis tentam a vida no Japão.
O assunto foi abordado na edição da Folha de Londrina do último domingo. O problema, é claro, é a dificuldade de encontrar trabalho na cidade. Mas, com a vigência da nova lei de imigração portuguesa, severa com empresários que empregam imigrantes sem visto, e mesmo com a suspensão de novos vistos a imigrantes, muita gente teve que adiar a viagem. Esperam uma definição dos esforços diplomáticos brasileiros para alterar o rigor das leis imigratórias. E preocupados com experiências cada vez mais amargas das quais ouvem falar.
A primeira das filhas de Imaculada a embarcar foi Andrea Cristina Melo e Silva, 28 anos. Estimulada pela experiência de dois vizinhos da Rua José Carias de Souza que tentaram a sorte do outro lado do Altântico, desembarcou lá em agosto de 2001. Hoje, já está casada com um português bem situado. Voltou por alguns meses para ter um bebê aqui, e está de volta para Portugal. Agora, não precisa trabalhar. Os filhos do primeiro casamento ficaram aqui, com a mãe e os irmãos.
Mesma sorte não teve Andreza Cristina de Oliveira Melo, 23. Ela viajou dois meses depois da irmã, e também já está casada. Mas vive de um bico, em um restaurante brasileiro. O mesmo onde trabalha a irmã mais nova, Priscila Cristina de Oliveira Melo, 20, que chegou em terras portuguesas há apenas quatro meses.
Dona Imaculada diz que não tinha como ajudar as três. Ganha apenas R$ 240,00 por mês como pensionista. ''Os vizinhos foram para Portugal, voltaram com um bom dinheiro, e as meninas resolveram tentar'', conta. Para matar a saudade, somente com as fotos dos casamentos, que as filhas mandaram pelo correio. E com o telefonema do último Dias das Mães. No começo, não foi fácil. A mãe diz que Andreza chegou a ser confundida com uma prostituta. ''Lá, as loiras que vêm do Leste Europeu vivem na prostituição, e como minha filha puxou o pai, ficou loirinha, foi confundida pela polícia'', conta. ''Meu genro de Portugal teve que tirar ela da prisão''.
A maior preocupação de Dona Imaculada foi com a guerra do Iraque. ''Tenho medo que aconteça alguma coisa com elas mais por essa história da guerra, e não por causa do visto'', explica, mostrando fotos das três. ''Elas estão contentes lá, mas sempre digo para voltarem o mais rápido possível, o lugar delas é aqui''. Mas as notícias correm, e a mãe lembra que toda a vizinhança já está preocupada com os parentes e amigos que estão sem visto.

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