O painel de dados do novo coronavírus da Prefeitura de Londrina aponta dez áreas na faixa vermelha da infecção - a cor representa os territórios com mais de 100 casos confirmados para Covid-19. Nesta segunda-feira (24), o mapa apontava a região Norte com a maior concentração de territórios neste parâmetro, são eles: Cinco Conjuntos, com 254 casos, Parigot de Souza (209), Vivi Xavier (185) e Ouro Verde (134).

Imagem ilustrativa da imagem Zona norte de Londrina tem concentração de bairros na faixa vermelha da Covid-19
| Foto: Lais Taine - Grupo Folha

A região dos Cinco Conjuntos é a segunda com maior índice de toda a cidade, ficando atrás apenas do Centro Histórico, com 272 testes positivos. A Gleba Palhano (zona sul) figura a terceira posição, com 233 confirmações.

VIVI XAVIER

Moradores da região criticam falta de consciência e relaxamento dos protocolos de saúde depois de cinco meses de pandemia. Thais Pereira, 37, é atendente em uma padaria e moradora do conjunto Vivi Xavier. O bairro registrou 185 casos confirmados, três deles terminaram em óbito. “No começo as pessoas respeitavam mais, agora estão relaxando. Mesmo com a gente falando, alguns desrespeitam, não querem usar a máscara, porque não acreditam na doença”, afirma.

Zenir Carvalho, 69, vive no mesmo bairro, mas acredita que a falta dos cuidados com a saúde vem desde o início dos casos na cidade. “Não é só por relaxamento, desde o começo tinha gente que criticava, falando que é politicagem”, menciona. Até para varrer a calçada a aposentada usa máscara e lamenta não ver o gesto repetido em pontos de maior circulação de pessoas.

Zenir Carvalho usa máscara até para varrer a calçada
Zenir Carvalho usa máscara até para varrer a calçada | Foto: Lais Taine - Grupo Folha

Para ela, há pontos de muita aglomeração da região, como filas em agências bancárias e supermercados. “As pessoas sabem que têm que ficar a dois metros de distância, mas não é isso que a gente vê”, acrescenta. Atualmente, o Vivi Xavier possui nove pessoas em isolamento domiciliar e duas internadas em enfermaria.

PARIGOT DE SOUZA

No Parigot de Souza há 209 casos confirmados, seis óbitos. Atualmente, 15 pessoas do local estão em isolamento domiciliar e uma pessoa está internada em UTI (Unidade de Terapia Intensiva). Cristiano Defende, 38, mora na região e aponta que não vê mais as pessoas carregando frasco de álcool em gel como era no início da pandemia, mas argumenta que as pessoas continuam usando máscara.

Porém, o servidor público afirma que no fim de semana é comum ver muitos carros estacionados nas ruas, demonstrando que as famílias continuam recebendo visitas. “Eu circulo bastante por aqui e eu arrisco dizer que, nos finais de semana, de cada 10 casas três estão fazendo algum tipo de reunião entre família e amigos”, indica. Imprudência que ele não arrisca. “Hoje mesmo é aniversário de dois anos do meu filho e nós não vamos fazer nada, por precaução”, lamenta.

FAMÍLIA TODA

No bairro não é difícil encontrar alguém que conheça um morador que passou pela infecção ou até que tenha falecido pela doença. Norma Borges da Costa, 62, cita alguns conhecidos que sofreram por conta da Covid-19. “Aqui perto mesmo tem bastante caso, um senhor faleceu, a família toda pegou. Teve uma pessoa que também pegou, mas não tinha ajuda de ninguém, ela saía para o mercado mesmo estando em período de transmissão, a população denunciou”, recorda.

A cozinheira aposentada conhece dois casos de morte por Covid-19 no bairro e aponta diversas famílias que tiveram contato com a doença. Ela afirma que boa parte das pessoas "pega" no trabalho e acaba levando para dentro de casa, mas também vê aglomeração nos comércios e na feira da região. “No domingo eu fui à feira e tinha muita gente lá e você vê gente sem máscara. Acho que as pessoas estão relaxando, ninguém está aguentando mais ficar em casa”, afirma.

"Acho que as pessoas estão relaxando",  menciona Norma Borges da Costa
"Acho que as pessoas estão relaxando", menciona Norma Borges da Costa | Foto: Lais Taine - Grupo Folha

Como grupo de risco, Costa continua seguindo os cuidados em isolamento e sem receber os netos diariamente, como fazia no período anterior à pandemia. “Eu não posso, sou hipertensa, diabética, minha filha tem medo e eu tenho que me cuidar. Então, eu evito sair, porque também não quero colocar a vida dos outros em risco”, menciona.

ÁREAS EM ALERTA
Ao todo, são dez áreas na faixa vermelha da cidade. Em ordem decrescente estão: Centro Histórico (272), Cinco Conjuntos (254), Gleba Palhano (233), Parigot de Souza (209), Vivi Xavier (185), Leonor (174), Parque das Indústrias (144), Ouro Verde (134), Ernani Moura Lima (107) e Cafezal (104).

SERVIÇO - O painel está disponível no https://geo.londrina.pr.gov.br/portal/apps/opsdashboard/index.html#/d2d6fcd7cb5248a0bebb8c90e2a4a482

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