Londrina
A incidência de casos de esquistossomose - ou barriga d‘água, como é conhecida popularmente - tem preocupado lideranças comunitárias da zona leste de Londrina e mobilizado diversos órgãos da adminstração pública. Um levantamento que começou em março, realizado pela Fundação Nacional da Saúde (FNS), identificou pelo menos nove casos da doença em crianças do jardim Marabá e vila Ricardo. No ano passado, no mesmo jardim Marabá, a FNS também registrou pelo menos 20 casos de esquistossomose, entre adultos e crianças. O risco é o mesmo nos jardins Santa Fé, Rosa Branca, Santa Inês, Interlagos, Ideal e vila Ricardo, todos na zona leste.
Um dos principais problemas apresentados na região é a presença do córrego Rio das Pedras, que corta quase todos os bairros e onde foi observada a presença de caramujos - hospedeiros dos embriões que, em contato com o homem, desenvolvem a esquistossomose. A população ribeirinha tem utilizado a água do rio ao mesmo tempo para jogar lixo, tomar banho, lavar roupa, lavar louça e até para beber. Sem contar as inúmeras crianças que habitam a região: elas brincam no córrego sem a menor preocupação e sem ter também a mínima noção ou orientação sobre o perigo que as águas representam.
Há aproximadamente três meses, depois que a FNS identificou os últimos nove casos de esquistossomose, representantes de orgãos como própria Fundação, Secretaria de Saúde, Autarquia do Meio Ambiente, Sanepar, Cohab, Secretaria de Planejamento, Conselho de Saúde da Vila Ricardo e Conselho de Saúde da Região Leste (Conleste) começaram a se reunir com o objetivo de encontrar soluções para o problema.
Ontem ocorreu nova reunião, na Vila da Saúde (área central). Segundo Marta Teresa Novais, chefe do Departamento de Informação em Saúde, da Secretaria da Saúde, não seria possível fazer um trabalho isolado para resolver um problema que envolve, entre outras coisas, educação, saneamento e habitação - já que muitas das famílias ribeirinhas moram em assentamentos ao longo do córrego. Por isso, outros órgãos foram convocados para que trabalhem em conjunto.
‘‘Faz três meses que estamos nos reunindo e a situação, de lá para cá, continua igual. A tendência agora, com o verão e a previsão de chuvas, é que fique pior ainda’’, critica Armando Paulo Porto Alegre, membro do Conselho de Saúde do Jardim Marabá e também do Conleste. Para ele, é necessário maior rapidez nas soluções dos problemas para que a incidência de esquistossomose não vire epidemia.
‘‘Esse projeto, na sua totalidade, será realizado a médio e longo prazo’’, explica Marta Teresa. Mas algumas ações imediatas, segundo ela, já foram decididas, para que a doença não evolua na Cidade. Entre essas ações estão a limpeza do córrego e fiscalização sobre lançamento de esgoto clandestino, que será feita pela AMA no início de outubro; o treinamento de professores de escolas da região, para que ensinem os alunos sobre como evitar a doença; e a realização de exames para identificar, eventualmente, novos casos da doença.
Além disso, dia 8 de novembro está marcada uma espécie de ‘arrastão’, envolvendo todos os órgãos, que estará na região visitando casa por casa e explicando os riscos da esquistossomose e as formas de prevenção. ‘‘É uma situação delicada, que precisa ser controlada, e a gente quer que a população se envolva’’, aponta Marta Tereza.
O ciclo da esquistossomose começa quando um homem infectado com o verme defeca às margens de rios ou córregos. Nas fezes estão os ovos que, em contato com a água, se rompem expelindo o miracídio (embrião). Ele procura o caramujo hospedeiro e, depois de alojado, passa por uma metamorfose, dando origem a várias larvas (cercárias) que penetram no homem através da pele.

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