Moradores do Conjunto Armindo Guazzi (zona leste de Londrina) também fizeram um protesto ontem de manhã, desta vez para reclamar da demora na conclusão da construção do posto de saúde do bairro, localizado na avenida São João. A obra foi iniciada na gestão do ex-prefeito Luiz Eduardo Cheida e chegou a receber a placa de inauguração no final de 95. Mas ainda faltam pintura e muitos detalhes para serem concluídos.
Carregando cartazes que pediam o término da obra, alguns moradores se reuniram em frente ao prédio. O presidente do Conselho Comunitário da Zona Leste, Geraldino Batista do Nascimento, lembra que o posto de saúde mais próximo é o do conjunto Ernani Moura Lima, a um quilômetro e meio de distância.
‘‘A construção está parada há tanto tempo e ninguém toma uma providência’’, critica Geraldino. Ele ressalta que moradores de vários bairros, cerca de 17 mil pessoas, vão se beneficiar com o novo posto.
Ineciro Lopes, presidente da Associação de Moradores do Armindo Guazzi e Geovani Lunardelli, acredita que a construção não foi retomada porque a Prefeitura não tem dinheiro e reclama dos custos altos levantados em um orçamento feito pela Secretaria de Obras (a pedido da Autarquia Municipal de Saúde) para terminar o posto de saúde. ‘‘Os preços são maiores que os do mercado’’, acusa. Carlos Boza, da Associação de Moradores, reclama que o orçamento aponta custo de R$ 23,00 para um chuveiro. ‘‘No mercado a gente encontra chuveiro por R$ 10,00.’’
A dona-de-casa Altamira Leal Antônio, 45 anos, moradora do Armindo Guazzi, reclama que qualquer problema de saúde é preciso recorrer ao posto de saúde do Ernani Moura Lima: ‘‘A gente tem que levantar às 3 horas da manhã, caminhar mais de um quilômetro e às vezes nem assim conseguimos vaga’’.
Outra dona-de-casa, Ana Maria da Silva Alves, 38 anos, comenta que a população acaba apelando para o pronto socorro do Hospital Universitário. ‘‘Lá a gente fica um dia na espera, mas sempre acaba sendo atendido’’. Mas ela reconhece que a solução não é a ideal, porque acaba afetando a superlotação do hospital. ‘‘Se tivéssemos o posto não precisaríamos ir até o HU’’.
Eder Pimenta, assessor da Autarquia Municipal da Saúde, e o vereador Salvador Francisco (PSDB) estiveram no Armindo Guazzi para conversar com os moradores. Éder convidou o pessoal para participar da reunião do Conselho Municipal de Saúde, que seria realizada ontem à noite.
O presidente da Autarquia Municipal de Saúde, Agajan Der Bedrossian, explica que a construção está parada porque a empreiteira não recebeu uma parcela do pagamento. ‘‘Nós já entramos em contato com a construtora, de Curitiba, e estamos entrando em um acordo para ver se eles têm interesse em conclui-la’’, esclarece. Caso não haja interesse, a construtora vai formalizar a desistência e a Prefeitura vai abrir então uma nova licitação. Na opinião dele, a construtora deve desistir do negócio porque o custo para deslocar equipe de funcionários para Londrina é maior do que o lucro da finalização do projeto.
Agajan Der Bedrossian garante que a parcela que falta para ser paga à construtora é pequena e diz que a Prefeitura deve quitá-la em poucos dias. Ele explica que a conclusão da obra foi orçada em R$ 78 mil e garante que o orçamento foi feito com base no projeto original. Quanto ao custo do chuveiro, o presidente da autarquia diz que o preço da mercadoria varia de R$ 3 a R$ 30 no mercado.

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