Ziguezagueando para chegar ao trabalho
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segunda-feira, 06 de outubro de 2008
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
Rolândia - Três quilômetros de pura buraqueira: o cenário reflete o abandono de um trecho da estrada que liga Rolândia (25 km a oeste de Londrina) a Pitangueiras (84 km ao norte de Londrina), onde estão localizadas duas importantes indústrias da cidade e onde vivem vários agricultores. Usuários dizem que já fizeram várias reclamações, mas o Departamento de Estradas e Rodagem (DER) até agora não resolveu o problema.
Via bastante movimentada, sua condição intriga quem passa pelo local. No início da estrada, o trecho em frente ao Museu Japonês foi duplicado e recapeado, mas basta passar o museu para o primeiro buraco aparecer. Outra curiosidade é que o asfalto melhora logo após o motorista cruzar um entreposto de uma indústria de frangos, o que totaliza os três quilômetros de buracos.
Carregando couro semanalmente, o motorista André Mendes Soares contou que a estrada já estava destruída quando ele começou a usá-la, há três anos. ''Tem que passar a 20 quilômetros por hora, no máximo, para não prejudicar o caminhão'', disse. Segundo ele, os prejuízos para os veículos vão desde o desgaste do molejo até a quebra da barra de direção.
Cair num buraco e estourar um pneu é tão comum quanto deparar-se com animais soltos pela pista ou galhos de árvores caídos pelo chão. Em boa parte da estrada não há asfalto e é justamente este trecho que os motoristas mais utilizam para fugir das crateras.
Josiane Schoten Vieira trabalha como analista contábil em um curtume e viaja todo dia pela estrada de moto. Para ela, as péssimas condições da via dificultam ainda mais as ultrapassagens. ''Como está sempre cheio de caminhão, um tenta desviar do outro e acaba não respeitando quem está de moto. Além disso, a gente perde o dobro de tempo desviando dos buracos'', declarou.
De casa ao curtume Josiane percorre diariamente sete quilômetros. O trecho, que de moto poderia ser concluído em menos de dez minutos, ela completa em, no mínimo, 20 minutos. ''Eu nunca me acidentei, mas já tivemos problema de funcionário que teve de ser afastado por ter sofrido acidente a caminho do trabalho'', lembrou a analista, ressaltando que só do curtume, que também funciona no turno da noite, mais de 300 profissionais cruzam a estrada diariamente. ''Tem moto, ônibus e caminhão circulando o tempo todo.''
Segundo a analista, quando chove, o problema aumenta. ''Os buracos abrem e fica impossível trafegar. Eles fazem uma operação tapa-buracos, que não resolve o problema, e na próxima chuva, o buraco está lá de novo.'' Um tapa-buracos aconteceu há três meses, preparando a estrada para a visita do príncipe japonês Naruhito, nas comemorações do Imin. Nova operação foi realizada na última quinta-feira, pelo DER.
''Já reclamamos, mas o problema é que não se sabe se a administração da estrada é de competência da prefeitura ou do Estado. Enquanto isso, sofremos as consequências'', lamentou Josiane.
Conforme o chefe de gabinete da Prefeitura de Rolândia, Sérgio Domingues, como liga dois municípios, o recapeamento da estrada é de responsabilidade do governo estadual. ''Sei que existe um projeto do Estado para duplicar a ligação Rolândia e Campinho até chegar em Arapongas, mas como o projeto não andava, o Município resolveu duplicar o trecho até o Museu Japonês para deixar mais apresentável para o Imin'', explicou.
Ainda segundo Domingues, foram gastos R$ 400 mil dos cofres municipais para concluir a obra, realizada em quatro meses. ''Precisaria recuperar o resto da estrada, mas não dá para deixar tudo nas mãos dos municípios. Nem Rolândia, nem Pitangueiras têm condições de investir.''
Conforme o engenheiro Ulisses Rossini, do DER, existe um projeto de alargamento e recapeamento da estrada, que terá ligação com o Aeroporto de Arapongas. ''Hoje, cerca de seis quilômetros da via estão sem asfalto, além do trecho de três quilômetros, próximo ao curtume, onde o tráfego intenso de caminhões comprometeu a pavimentação.'' Ainda segundo Rossini, não há previsão para o começo das obras, que deveriam ter sido iniciadas este ano.


