Zerão tem domingo zen
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domingo, 13 de abril de 2003
Célia Musilli<br> Reportagem Local 
A paisagem do Zerão e do Lago Igapó foi tomada ontem de manhã por outro tipo de frequentadores. Normalmente ocupada por adeptos das corridas e das caminhadas, a área verde foi transformada em cenário de meditação ao abrigar 60 pessoas que seguiram pelo parque a monja Coen, líder budista que esteve em Londrina no fim de semana para uma série de atividades. Com passos miúdos, atitude concentrada e as mãos colocadas de forma a proporcionar um eixo de equilíbrio para o corpo, o grupo chamou a atenção dos transeuntes que acompanharam com curiosidade a fila sinuosa que, às 9 horas, saiu do anfiteatro do Zerão em direção ao lago.
À frente do grupo, a monja conduzia as atividades que incluíram exercícios de respiração e de contemplação do parque, ao mesmo tempo em que estimulava as pessoas a deixarem as preocupações de lado, mantendo a mente livre. O silêncio dos participantes da caminhada contrastava com os ruídos urbanos, incluindo a música alta dos carros que trafegam pelas ruas que circundam a área. Mas nada parecia atrapalhar a concentração das pessoas que não se deixaram intimidar nem mesmo pelos curiosos que paravam para observar, sem compreender direito o que fazia aquele bando de homens e mulheres de todas as idades.
Segundo a monja Coen, a caminhada é uma forma de treinamento que instiga o corpo e a mente a perceberem melhor a natureza, mesmo no meio das grandes cidades, proporcionando relaxamento e bem-estar. Além disso, serve para melhorar as relações humanas, ''oxigenando'' e modificando o ambiente urbano tomado pela violência e a criminalidade.
A ''meditação em movimento'' foi criada há cerca de dois anos pela monja que utiliza para sua prática os parques públicos de São Paulo, mas já tem ''versões'' em outras capitais brasileiras como o Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Em Londrina, a caminhada foi feita pela primeira vez, mas o grupo budista Terra Zen, de Rolândia, quer repetir a experiência no Zerão em todos os primeiros domingos do mês, a partir de maio.
Ontem, ao fim da atividade que reuniu pessoas de várias crenças e durou pouco mais de uma hora, a professora católica Estela Gomes Gonçalves, 37 anos, afirmou que a prática foi um momento que serviu para aproximá-la da natureza, como se fizesse ''uma volta às origens, coisa que a correria do dia-a-dia não permite''. A caminhada em Londrina também contou com a simpatia de ambientalistas como a professora do curso de Geografia da UEL, Lúcia Helena Gratão, 53 anos, que faz um trabalho de extensão com a comunidade que inclui a exploração de trilhas e parques. ''É um projeto que visa melhorar a percepção das paisagens, o ser humano precisa se integrar melhor à natureza para preservá-la'', explica.
A monja Coen diz que a caminhada zen normalmente desperta reações de curiosidade e estranheza na população que transita pelas áreas públicas. ''Mas o resultado para quem participa e, até para quem observa, é muito benéfico'', argumenta. Em São Paulo, ela costuma fazer este tipo de meditação com líderes de outras religiões e já contou algumas vezes com a presença de Lia Diskin, representante da Unesco para o projeto ''A paz pede parcerias'', que inclui caminhadas, apresentações de dança e até confecção de origamis nos parques. ''Tudo isso serve para mudar o ambiente urbano, contaminado pela onda de violência'', enfatiza.


